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Mais uma carta de amor ou de adeus...


São Paulo, algum dia, mês qualquer, quando te conheci.

Se isso fosse uma carta, talvez fosse uma carta de amor ou de despedida, não sei ao certo. Não tenho certeza de nada, meus sentimentos são mais misturados do que as gotas de chuva caindo no meio do oceano e se amalgamando perfeitamente... chuva e mar....a chuva deixando o mar um pouquinho mais doce.

Se eu pudesse derramar tudo o que sinto nessa carta, como as gotas da chuva que caem  sobre a superfície do mar, verde-azulada e fina , como é fino o papel... Uma, duas, três folhas não seriam o suficiente para dizer tudo o que sinto, o que penso, meus anseios, minhas angústias, minhas noites mal dormidas... Acordo e a primeira coisa que me vem à cabeça é seu rosto, porque em sonho, já senti seu gosto, já senti seu cheiro; tudo tão real que acordo e... voltar a dormir??? Sem chance. Viro e me reviro na cama, penso em te escrever alguma coisa, vou até o computador, mas não tenho coragem, tento uma mensagem no celular mas é madrugada; você vai me  odiar por ter te acordado. Pego no sono. Lutar para que, se já sei que na escuridão não posso fazer nada, que a madrugada não traz clareza aos pensamentos; mas só saudades, dúvida, mais vontade de te beijar, de estar perto de  você.

Você me fez te querer, você pôs mel nos meus lábios e quando eu entrava em total estado de embriaguez, de paixão, de desejo, você foi saindo de mim aos poucos, cada dia mais. Hoje não sei se sobra algum sentimento em você, se você sequer se lembra o que vivemos e as promessas que fizemos. Temos  tantas coisas para viver ainda...você sussurrou. Será? Porque alguém diria isso sabendo que os ventos mudariam depois de 24 horas? Porque alguém se deixaria envolver ou envolveria dessa maneira? Eu não entendo... meu coração não entende. Quisera eu olhar em teus olhos com descaso, beijar-te os lábios com indiferença. Talvez assim você  sentisse o que sinto...que já foi fogo e agora é cada vez mais gelo.

Por isso digo que essa pode ser uma carta de amor ou despedida. Talvez nem seja uma carta afinal, cartas devem ter um destinatário. Escrevo ainda sem a certeza de que ela chegará as suas mãos.  Não sei se um dia terei coragem de deixar que essas gotas de chuva, frágeis, límpidas e puras cheguem a superfície impenetrável do seu coração. E pensando bem...como eu me engano com meus amores!!! Pensei que você fosse sensível, pensei ter penetrado teu ser para sempre, pensei ter finalmente encontrado águas calmas para abrandar as tormentas que são meus sentimentos.

Acho que não...

Fim
Mari Mérola
Enviado por Mari Mérola em 18/07/2006
Código do texto: T196696
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Sobre a autora
Mari Mérola
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Mari Mérola