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dedicated to you, "Mr. Clooney" with big blue eyes...


NÃO É APENAS O AZUL DOS TEUS OLHOS...

               Não. Decididamente não é a cor dos teus olhos que me faz gostar deles. Já vi outros azuis de céu, não tão azuis, já que os teus excedem em muito os tons de azul que conheço. Também naquele caso a cor não entrou em questão. O que gosto neles é uma pureza que ocultas aos demais e no entanto, escancaras quando me sorris. O que gosto é a profundidade do azul, que dá uma sensação de mergulho num mar profundo. Profundo, mas sem o medo que a profundidade causa. 

               Também não. Não se anime por tão pouco. Não estou me apaixonando por eles ou por você. Sabes, de muita conversa havida que tenho fomes não saciadas. Fomes de “ses”, de “quandos”, de “quases”, de “quem sabes” que ficaram guardados debaixo da cama ou em gavetas para as quais ainda não encontrei as chaves. Eu tenho esse problema: algumas vezes escondo tudo tão bem que depois não sei onde coloquei. Estas fomes mal alimentadas, estes invividos quases e senões tão mal explicados travam o caminho para as paixões e outros assemelhados...Mas gosto dos teus olhos e não tenho porque não o dizer. Seria como criar mais monstrinho de “quases” que depois eu não saberia o que fazer com eles. 

               E é verdade também que tua voz é muito bonita e eu tenho essa mania com as vozes. Preciso gostar da voz. É quase como se a voz fosse a criatura. Olha eu aí botando um “quase”... Tua voz tem um quê de virilidade que não perdeu a inocência. Uma voz que, assim, abraça a gente quando fala, esquenta a alma...Não sou uma monja e portanto, devo admitir que aquecem bem mais que a alma. Mas, vamos com calma, “George”, lembra-te bem o que te disse sobre meu corpo: um templo. Não se invade um templo. E isso me leva a outra coisa boa em ti: respeitas o meu tempo. 

               Tens a sabedoria de saber que tudo necessita de tempo e que não sou boa em lidar com expectativas a meu respeito. Percebeste logo de saída. Tuas falas foram todas muito bem colocadas e fizeste de saída uma jogada de mestre: tiraste o relógio e o puseste sobre a mesa dizendo que “melhor esquecer o tempo, vamos jogar fora o relógio...” . Não sou tão espiritualizada pra jogar um Rolex fora, mas entendi o recado. Se o problema é teu tempo, tudo bem,ficas com o meu até quando queiras. Bela sacada, Mr. Cloney...Principalmente porque teu olhar não contradisse em nenhum momento a tua fala. 

               Acho que agora entendes melhor porque gosto dos teus olhos. Eles poderiam ser vermelhos e não este azul quase violeta. Mesmo assim eles têm a cor profunda da verdade. 

                         Do fundo dos meus olhos castanhos e do meu coração, thanks again, Mr. Clooney, so much improved...
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 25/07/2006
Código do texto: T201958

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai