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Carta



Março/ 1979





Chove lá fora. Eu penso em você. Tudo me faz lembrar você...tudo.
Tudo em você me agrada, tudo. Seu andar, seu modo de agir, seu modo de falar, até esses pingos, tudo me lembra você.
Seus olhos, seus cabelos, sua boca, esse seu corpo...
Seus beijos me enlouquecem, fazem-me estremecer essas tuas carícias.
Quando vejo a cama onde tantas vezes nos abraçamos, trocamos carinhos ousados...
Olhava-mos pela janela, víamos o sol que surgia para nós dois, víamos as árvores em que tantas vezes escrevemos nossos nomes, juramos que iríamos envelhecer juntos, e que nosso filho amado teria o nome de "Juninho”...
São belas recordações que jamais hei de me esquecer.
Era apenas alguns anos, em que terminaríamos os nossos estudos...
Até hoje pergunto-me por que paramos de sonhar juntos, de fazer nossos bobos mas tão sinceros planos de amor, para o nosso, sim, o nosso futuro.
Incertezas? Não creio. Talvez apenas acordamos, e por muito tempo tentamos nos esconder de uma coisa clara para todos, mas que queríamos ignorar.
Tudo acabou. Esta carta que você lê agora, quem sabe com estas mesmas lágrimas que agora tenho nos olhos, é apenas o resumo do que passamos juntos.
Mas não desanime - olhe pela janela que tantas vezes olhamos e veja: o sol está lá, para vivermos, separados é certo, mas temos que ter o “juninho” que prometemos. Sinto que ele foi apenas um sonho, porque não tive coragem de lhe dizer o que o médico me disse aquela vez que te falei que não podia ter filhos porque estava anêmica; a verdade é que eu nunca poderei ter um único filho, por causa daquele aborto que aconteceu aquela vez em que eu levei o susto com o morcego, lembra?
Embora tenha ressentimentos, não tenho raiva do Pilo, seu adorado bichinho, eu terei saudades dele, foi um bom amigo, até.
É uma pena que tudo tenha de terminar assim, porque eu ainda te amo.
Sem mais nada a dizer, só a sentir, termino esta carta, e todos os lindos sonhos e tudo de maravilhoso que passamos.
Adeus, meu querido, sempre terei as lembranças mais belas de você.
Por favor, seja feliz, como sempre me lembrarei de você.


Dessa que te ama:
Edilene.


P.S.: Que esse nome fique apenas em suas lembranças. Não o diga a ninguém. Não deixe que estraguem suas belas lembranças.
Edilene Barroso
Enviado por Edilene Barroso em 26/07/2006
Reeditado em 26/07/2006
Código do texto: T202056

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Sobre a autora
Edilene Barroso
Campinas - São Paulo - Brasil, 53 anos
192 textos (21461 leituras)
12 áudios (4784 audições)
5 e-livros (337 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 10:32)
Edilene Barroso