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ENCONTREI SILVINHA!

     Escrevo esta carta para que as pessoas saibam da minha felicidade ao encontrar a Silvinha.

     Vou explicar, pois quem não me conhece ficará voando e pensando: "Essa pessoa é doida!". Quando criança e adolescente, tinha uma amiguinha com o nome Silvinha. Nós ficávamos o tempo todo juntas apesar dela ser sete anos mais jovem do que eu. Geralmente, os adolescentes não gostam de ter amigos crianças e com uma diferença de idade tão grande, pois quando nos separamos, eu tinha treze anos e ela apenas seis. É de se admirar uma amizade assim, não é?

     Silvinha era minha amiga número um, inseparável. Onde eu estava, Silvinha também estava e vice-versa.

     Morávamos no mesmo prédio e nos separávamos só quando estava eu na minha escola e ela na dela e para dormir, assim mesmo tinha dias que dormia em sua casa.

     Brincávamos de mãe e filha.

     Quando eu tinha treze anos, os pais de Silvinha transferiram-se para São Paulo.

     Já imaginaram o sofrimento da separação?

     Continuamos a nos corresponder por carta. A mãe da Silvinha escrevia. Um dia quase morri de felicidade ao receber uma cartinha escrita por Silvinha e me chamando do "mamãe". Que lindo! Letrinha de criança aprendendo a escrever, tudo muito belo!

     Um dia nos perdemos. Os pais de Silvinha se mudaram de São Paulo e as minhas cartas só voltavam... Que tristeza!!!

     Comecei a procurar a Silvinha. Quem eu conhecia que ia para São Paulo, eu pedia para encontrar o pai da dela nas listas telefônicas, no ramo de trabalho dele, mas nada...

     Guardava as cartas da mãe da Silvinha, as dela, que eram duas e outras cartas preciosas em um bauzinho com chave e tudo. Quando a saudade apertava, abria meu bauzinho e relia...

     Depois de casada, mantinha o bauzinho dentro do guarda-roupa. Uma certa empregada perguntou o que tinha no bauzinho e eu disse filosofando que era meu maior tesouro, por isso era trancado.

     A coitada, deve ter pensado que era tesouro material, furtou meu bauzinho e foi embora para o Nordeste. Quando descobri, fui atrás, mas já era tarde... Ficou só a chavinha que até hoje trago na minha bolsa.

     Fiquei 35 anos procurando a Silvinha.

     Bendita seja a Internet. Neste ano a encontrei, mais precisamente no dia 6 de agosto. Dia feliz, de muita emoção, chorei até.

     Imaginem a felicidade!!!?

     Estou escrevendo hoje, compartilhando com vocês a minha alegria, pois tem um mês e pouco que a encontrei e estava esperando para ver se era mesmo verdade, pois durante estes 35 anos foram as inúmeras vezes que sonhei com ela, que a tinha encontrado.

     Hoje, tenho certeza, pois nos comunicamos atravé de e-mails. Ela mandou foto dela e da filhinha dela. A filhinha é ela escrita, e ela ficou muito mais bonita do que imaginava.

      Agradeço ao meu Deus o Todo-Poderoso, pois não poderia morrer com esta vontade de encontrar Silvinha.

     Silvinha, te encontrei, minha filhinha, linda!!!!

     Um abraço a todos.
     Maria Lúcia.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 11/09/2006
Código do texto: T237808
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4027 leituras)
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