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religião do dia a dia

«na vida, de garantido, temos a morte e os impostos»,
o Soldado Desconhecido?

As palavras
valem o que nelas pomos!
Valem amor se nelas amor escrevemos e, o amor, vê-se no cuidado com elas. Bem como, sobretudo como, elas são dirigidas a... alguém.
Eu amo toda a gente, como quis Cristo, numa tradição cristã que não renego. Nego é a utilidade da Igreja, um monumento de poder temporal, erigida como se fosse dirigida ao espírito e nunca o foi!
Acredito nos padres que acreditam na Fé, porque a crença alimenta e consubstancia o poder do espírito sobre a matéria:
«o homem é o único animal capaz de distinguir a água benta da água normal».
A única prática religiosa em que acredito é na budista, onde a sociedade alimenta alguns homens que, vivendo à sua margem..., expandem a sua margem para os caminhos da meditação: Paz e Iluminação.
Agrada-me haver quem viva em Paz porque procura viver harmonizando a sua energia com a do Universo, fugindo das ilusões e procurando a Verdade, procurando não precisar pensar: viver como as plantas e ter raízes como os animais!
Eu procuro ser monge, sem ser asceta, nem viver por conta de outrem. Não é fácil nem difícil, é a 'religião do dia a dia' da esmagadora maioria das pessoas em todas as zonas do globo onde a sociedade é funcional. Por desinteresse dos poderosos? Não, por interesse dos poderosos.
Outro exemplo das disfunções da sociedade, a escravatura não acabou, nem jámais irá acabar: já somos escravos do Estado, como já fomos escravos de Deus.
A questão é que a irracionalidade agora atingirá os limites do pensar humano, a operacionalidade matemática do cálculo das máquinas!
Nas vacas, com enormes brincos numerados, é bem visível a marca da industrialização do consumo; só espero não vir a ver os humanos marcados como na Índia há e haverá o "sistema de castas". Sistema que, de forma mais moderada..., sempre existiu em todas as sociedades.
A questão da sensibilidade pelo lado do sentir mitificado: acho que Deus, se não morreu, é um parente tributado pelo Estado.
Este é o estado do mundo globalizado onde vivemos, tal como o vejo e não desejo. Toda a vida sofri (tudo começou com as luzes a iluminarem as serras vistas de noite, partilhando a contemplação das estrelas) vendo, vivendo, convivendo, dia a dia com a destruição do mundo: a própria essência da vida, a Terra, é uma guerra perdida.
Questionando a sobrevivência, esta está a prazo, só não faço ideia de qual seja. Os profetas de outras eras tinham presentes e quantificados os anos de grandes transformações da humanidade e apontavam a sua evolução até à calamidade, criaram o pensamento milenarista..., na data tal é o Fim, o Apocalipse.
O Fim está aí, todos os dias, os milhares de espécies que terminam e deixam de existir. Por milhões que ainda sejam, a subtrair-lhe diariamente milhares, é um fim sem surpresa: uma realidade estúpida e sem beleza.
À literatura demos pois o destino da incluir nas Belas Artes... e cantemos, dancemos, representemos até cair para o lado. Exaustos, mas felizes por convivermos com toda a imaginação do mundo!
Somos o que somos, sempre serei o guerreiro, o caçador, perseguindo a presa com respeito, sabendo-a tão importante quanto eu próprio.

{Nem me despeço, continuarei esta noutras cartas, a próxima dá-la-ei como conto?...}
Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 19/09/2006
Reeditado em 19/09/2006
Código do texto: T244405
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Sobre o autor
Francisco Coimbra
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