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05 - Ao prezado Amigo (a)

 05 - Araçatuba, 22 de setembro de 2006

     Prezado "Amigo" (a),

       
     Sei que tu és um ser muito ocupado; e assim sendo, aceito os seus lamentos, sua demora em responder-me – mas digo que vale a pena a espera, assim cria-se uma expectativa. Mandei-te duas cartas, como da outra vez, e você mandou-me uma... Mas procure trabalhar menos, pois muito serviço causa stress.

     Falando em stress – você deve pensar, lá vem ele com outras: antes adolescência, agora stress... Mas sei que você é super dez comigo e vai me compreender. Stress é uma coisa chata, mas tão chata que existe onde não existe e vice-versa. Se posso complicar, para que explicar? Lembre-se o que o poeta disse: “Trabalhar menos, ver o sol se pôr...” – Devia ter trabalhado menos e amado mais... Tente fazer isso – melhora até o coração!

     As situações são delicadas quando se trabalha com adolescentes – e sei, como você me respondeu, que nutrem ‘certas expectativas em volta do mestre’, mas no meu caso não: sou tão feio, mas tão feio, tão bravo, mas tão ‘bravo’ que espanto todo mundo, mas todo mundo me procura... E lá vou eu!!! Ossos do ofício, brincadeiras à parte, descobri que quanto mais chato você é, quanto mais você exige, quanto mais você ‘pega no pé’, mais eles não te largam! Dizem na minha frente: “Você é tão chato, mas tão chato que chega a ser legal, que não consigo esquecer as tuas aulas.” E pior – outro dia uma adolescente disse-me: “Não gosto de ler – e não vou ler.” Olhei fixamente para ela e disse: “Vou comunicar isso a seu pai.” – “Não tem problema.” Que fiz: pedi que me acompanhasse até a sala da Direção e conversamos eu, ela e a diretora. (Estava tentando salvá-la... boa aluna!)

     Passado dias, ela disse-me após uma leitura (que ela havia feito e sem retrucar): “Você sabe que não gosto de ler... mas sei que preciso ler, mas prefiro que você leia.” “Mas por quê?” “Porque quando você lê eu viajo... a sua voz me faz viajar...” “Isso chama-se entonação...” “Eu sei, mas ainda prefiro que você leia.” – E é uma aluna nota 09...

     Você sabe que aluno tirar dez comigo não é fácil... Dez para Deus, nove e meio pra mim e nove para os alunos... É apenas para descontrair. Você sabe que serei eternamente jovem!

     E, voltando à sua carta-resposta, ufa! Sou meio-humano, meio-ET – bem: repito o que alguns alunos já disseram! Mas vale todo esforço para se obter, no futuro, um bom ‘sujeito’. E o que fazes da vida, além de mexer em processos tentando salvar a vida alheia?

     Espero que desta vez responda-me mais rápido. Não deixe acumular as cartas minhas, os serviços, sim, pois estes trazem stress. Faço ponto aqui.

     Seu amigo Pece - que anda, agora, menos preocupado com o 'adolescer'.

 

Abaixo:
Cópia da carta recebida em resposta das de nº 03 e 04.

     São Paulo, 21 de Setembro de 2006

     Caro Amigo,

     Lamento por demorar para responder-lhe, mas não são só as suas cartas que se acumularam em minha mesa,. Por conta dos últimos processos pendentes que exigiam uma atenção especial; só hoje é que consegui escrever-lhe, antes que você imaginasse que algo de mais sério pudesse ocorrer aqui com seu velho amigo.
     
     Fiquei pensando à respeito das suas duas últimas cartas, mencionando sobre o “adolescer”. Situação delicada a tua!

     Ossos do ofício, professor! Pois entendo ser natural aos alunos nutrirem certas expectativas quanto à figura do mestre. Por vezes, esquecem-se que você é um ser humano como todos os outros, e que, portanto, tem lá os seus questionamentos tanto quanto devem ter os seus pais. Porém, sempre esperarão de você a resposta mágica para todos os seus problemas, e. que ainda, você os compreenda. Santa ingenuidade!

     É necessário ter muito tato quando os alunos abordarem determinados assuntos, pois nesta faixa etária seus hormônios estão no ápice de suas funções, então você se verá ainda em muitos questionamentos. Citando aqui a pergunta quanto á criação da calcinha e da cueca, pelo que te conheço, deve ter se saído muito bem na sua resposta, optando pela mais instrutiva possível. Cá para nós, cada pergunta pitoresca!

     Quanto a sua crônica, ainda não li, mas prometo-lhe que na próxima carta poderei tecer um comentário a respeito.
 
     Um forte abraço.

     Mário Augusto
     Pseudônimo de M.Sayuri

Prof Pece
Enviado por Prof Pece em 23/09/2006
Reeditado em 17/08/2014
Código do texto: T247368
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Prof Pece
Araçatuba - São Paulo - Brasil, 46 anos
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