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A carta que recebi de uma fã

Quem ama não fica só

Bsb, 12 de setembro de 2006.

Olê, olê... como vai você, amigo do meu poeta amado? Não nos conhecemos pessoalmente mas já somos tão familiares um ao outro que poderia fazer seu retrato falado. Descreveria com precisão cada marca que a vida colocou nas suas expressões. Precisávamos nos tornar íntimos para que fôssemos tão cúmplices em sentimento. Afinal o elegemos como nosso interlocutor, papel que tem desempenhado com maestria.

As perguntas hoje poderiam ser: Cadê meu amor? Você o viu por aí? Será que está do ladinho dele neste exato momento?  Muitos gostariam de saber. Outros tantos especulam sobre o assunto. Há os que simplesmente questionam, mesmo sem palavras, a ausência da presença dele a meu lado, como já havia se tornado de costume. Porém eu, e só eu, como um dos modernos satélites de alta precisão, sei da sua localização exata. Está lá nas lonjuras dos que vão a bordo dos barcos de pesca, onde nem sequer meus mais saudosos sinais de fumaça alcançam. E aqui.. dentro do meu corpo e da minha alma. Pra não falar dos meus pensamentos e coração.

Nunca experimentei uma ausência tão presente. Você pode até estranhar o que vou dizer, mas não desejaria sequer que ele estivesse junto a mim, porque está !

Você não pode imaginar tudo que tem acontecido por aqui. No orquidáreo, surgiram magestosos dois novos botões. Dois. Não um, ou quatro. O sabiá então, resolveu ali fixar residência e cantar, cantar sem parar, transformando canto em seiva. A lua, anciosa por participar da festa, veio mais cedo do que nunca. "En(sol)arou" e deixou tudo nu. Não conte a ninguém, guarde mais um daqueles nossos sagrados segredos, mas ficou tão claro no feixe de luz sobre as águas, que vi dois olhinhos sorrindo pra mim e mandando um daqueles beijinhos soprados ao vento, como só poderia fazer o meu menino!
 
Ninguém faltou ao encontro marcado. Nem o amante, nem o macho, nem o homem e muito menos o meu poeta...
Mas somos tão astutos que mesmo com tanta claridade nos olhamos, ocultos a qualquer outro olhar. Não era momento para testemunhas.

É possível vestir o outro, acredita? Faço isso diariamente. Ele também sabe que quando alguém nos preenche os pulmões, basta abraçar o próprio peito para sentir não só o volume.. do coração que "ficou" - batendo nas palmas das mãos, como o cheiro da flor amada.

Ah, amigo confidente! Quantas coisas tenho pra lhe contar!
Você acredita que quando já o estava imaginando junto dos seus companheiros, bichos do mato, ele ainda conseguiu dizer alô ? Não é o mais doce dos rudes turrões? E pude saber do vento que o transportava feliz e da beleza que também mora por lá! Mas a sequência dos acontecimentos desde então, foi o que mais me impressionou. O tempo andou pra trás. É verdade! O que parecia impossível na era da tecnologia, aconteceu. Os computadores silenciaram. Todas as máquinas pararam de funcionar. Os telefones não ligaram ninguém mais. Em ano eleitoral, coitados dos políticos, faltou luz para todos os que não viram através do luar. O mundo emudeceu. O silêncio se fez tanto que podia-se ouvir, do fundo da voz da cachoeira, o entoar de uma conhecida canção: " A todo mundo eu dou psiu, perguntando por meu bem, tendo o coração vazio, vivo assim a dar psiu, sabiá vem cá também. Tu que andas pelo mundo sabiá, tu que tanto já voou, tu que cantas passarinho, alivia minha dor. Tem pena d'eu sabiá, diz por favor, tu que cantas passarinho..........." e antes mesmo do último verso, eles vieram todos, e até ele, o sabiá que cantava no meu quintal, agora parece cantar em cada canto do mundo, que se fez só plenitude e saudade...

Com toda sua esperteza sei que já compreendeu tudo. Não escrevo para falar em tristeza ou qualquer tipo de dor. Mas da sintonia mais divina e do melhor amor do qual já se teve notícias por estas bandas da galáxia.

Podendo contar tudo assim pra você dá até para esperar pela volta do beijo! Só diga, por favor, pra ele não demorar demais. O ar pode se tornar rarefeito.

Um ABRAÇO...........
Ass: Estátua da Liberdade
Pedro Cardoso DF
Enviado por Pedro Cardoso DF em 25/09/2006
Reeditado em 19/04/2010
Código do texto: T249018
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Pedro Cardoso DF
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 68 anos
4319 textos (94826 leituras)
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Pedro Cardoso DF