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A FADA ESPERANÇA

(para Diego Moncks, 24 anos, que se embriagou de poesia e vida)

----- Original Message -----
From: "Diego Moncks" <diegomoncks@hotmail.com>
To: <joaquimmoncks@brturbo.com.br>
Sent: Wednesday, September 27, 2006 5:22 PM
Subject: Ovo de Colombo

Querido tio Zico.
 
Gostaria de lhe parabenizar pela obra "OVO DE COLOMBO", pela sua escrita perspicaz, sensível, que foi capaz de me prender num exercício poético através das obviedades da poesia. Seus versos antonomásticos, marcados pelas idéias criativas pós-modernistas, subentendidos audazes, pressupostos intrigantes, foram pontos marcantes nessa que considero uma de suas mais belas obras.
Suas idiossincrasias me tornam mais um leitor ainda mais sedento por seus versos.
Um abração do Diego Moncks.


Diego, sobrinho amado!

Fico feliz com o fato de que tenhas gostado de meu livro de poemas OVO DE COLOMBO, que é o repertório dos cinqüenta anos, material amealhado com a rica vivência de quem observa o mundo pelo decurso do tempo, e de quem crê na transfiguração da matéria da vida.

É bem verdade que a literatura poética não muda o mundo por aplicação imediata, mas é uma proposta de reflexão, de encontro do leitor consigo mesmo. E de algumas ações possivelmente mais pensadas, menos comprometidas com o lugar comum da vida, com o consumismo mercadológico que nos vende a alma e o pudor.

Por isso, também entendo ser esta a minha obra mais madura, não sei se a esteticamente mais bela, porque Beleza é patrimônio pessoal de quem observa,  não de quem faz. E cada pessoa vê o mundo com uma beleza diversa, com olhos diferenciados. Porque cada ser é um universo próprio.

O sofrimento pessoal faz com que nos topemos com a feiúra, que também é uma espécie de Beleza, a antítese, a antinomia que produzirá uma nova sensação e visão do belo. Esta a função explicativa da dialética pessoalizada, tornada verdade inominada.

Fico feliz quando recebo uma mensagem como esta, a qual reforça a sensação pessoal de que contribuo para a multiplicidade de visões sobre tal ou qual matéria ou fato, mesmo que tênue, transfigurado pelos véus da metalinguagem, por vezes.

Poesia é a árvore do Mistério. Seus frutos têm a forma e o gosto de quem a colhe no pomar de suas vivências.

Mas a visão do amar é, ainda, a única e inexplicável salvação do homem em todos os tempos. É nela que a Vida se renova.

Não nascemos para o mal. Somos, por vezes, instrumento dele, mas ele é a repulsa pelo descaso, pela opressão descabida, pela falta de oportunidades educacionais, como nas históricas injustiças sociais.

Tua prazerosa comunicação salvou e resgatou a minha bonomia, que se perdera ao perscrutar a TV e o horário da justiça eleitoral, com as propostas dos candidatos e seus partidos.

Voltei a refletir – com a tua perda de tempo em mandar meia dúzia de linhas para o poeta e o conseqüente estímulo – a acreditar que o Bem sempre vencerá o Mal.

Porque doçura é o que tem faltado para os que desejam encontrar a fada Esperança, nos difíceis e rancorosos dias pelos qual passa o país, seu precioso povo e suas instituições.

Com os agradecimentos e o penhor do tio Zico.

– Do livro CONFESSIONÁRIO – Diálogos entre a Prosa e a Poesia, 2006.
http://www.recantodasletras.com.br/cartas/251011
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 27/09/2006
Reeditado em 16/05/2008
Código do texto: T251011
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
2581 textos (709761 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 07:13)
Joaquim Moncks