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Carta de amor I

Procuro teu olhar nos vôos dos pássaros riscando o céu numa tarde de verão, procuro teu olhar nas asas de uma borboleta que voa trêmula como uma folha levada ao vento, procuro teu olhar a cada presença de vida ao meu redor ;
Procuro tua voz nos cantos dos pássaros que teimam em despertar e que insistem em fazer a vida menos triste, procuro tua voz em cada criança brincando no parque num mundo infantil, procuro tua voz nas notas de uma música que acalma meu ser ao perceber tanta beleza, procuro tua voz no barulho do silêncio das noites em que eu me descubro fazendo parte de um mundo que magoa e fere sem porém nunca deixar de ser belo;
Procuro tua mão em cada pele que me toca, como vento deslizando no rosto numa manhã suave de primavera, procuro tua mão ao sentir a água do mar refrescando a sede do corpo suado, procuro tua mão no leve toque primaveril de uma criança que me oferece todos os seus sonhos em balas coloridas guardadas na palma da mão;
Procuro teu perfume em cada flor que vejo ou cultivo no meu jardim suspenso entre sonhos e desejos guardados dentro de mim, procuro teu perfume no doce hálito do recém nascido que passa os dias a dormir sonhando sonhos de um mundo que acabou de deixar, procuro teu perfume no cheiro da comida que sacia a fome de viver;
Procuro tua presença no silêncio dos templos como quem desconhece a razão de tudo e não vê explicação para a ausência sentida; procuro tua presença na solidão do mar embora sentindo a vida além da espuma oceânica como um imenso gozo de peixes;
Procuro por teu nome em cada letra nos jornais, em cada palavra escrita nos cadernos que um dia foram meus quando jovem, com a pureza de quem ainda acredita no futuro e com a imortalidade que todos os jovens têm;
Procuro a cada passo, a cada respirar, a cada olhar que meus olhos transmite, procuro por você a cada sinal de vida, como quem sabe que vai morrer e não deseja morrer sem que antes sinta outra vez a vida que se perde entre os sonhos não vividos;
Procuro pelo amor que um dia eu senti nas ruas coloridas de uma cidade, nas flores das casas, dos sonhos contados como realidade, do frio sentido numa madrugada onde o corpo foi aquecido apenas pela presença de um amor descoberto;
Procuro pela vida oferecida a cada olhar dos teus olhos, a cada beijo de tua boca, a cada silêncio do teu ser e mesmo sabendo que não iria te alcançar, lancei-me no espaço ao encontro dos sonhos sem me importar com o sofrimento que despontava pela incapacidade de me doar por completo e por não acreditar que o amor verdadeiro é simples como pensamentos de uma criança, como pétalas de rosas, como colibris voando sem direção, que apenas existem sem ser necessário explicar a razão de existirem.
André Hemerly
Enviado por André Hemerly em 05/10/2006
Reeditado em 05/10/2006
Código do texto: T256954

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Sobre o autor
André Hemerly
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
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