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SE ME FOSSE PERMITIDO TE TER NOS MEUS BRAÇOS

   Lauro de Freitas-BA, 24 de outubro de 2006.
   Para Elen Keller,

   Amor, para os dois dias sem você, até que estou suportando bem; ainda não me descabelei nem me desesperei. Apesar de sempre ficar sem sua presença por sete dias, eu não me acostumo nem me acostumarei nunca, com tuas ausências semana a semana. Queria você mais próxima possível! Com as mãos nas minhas, deitada na minha cama. Nada há de mais belo no mundo que o sentimento da certeza de que você sempre estará por perto. Naqueles dias em que todos nós acordamos indispostos... Por vezes não há cura à nossa falta de ânimo. Felizes são as pessoas que têm você por perto, as que rodeiam você, quais nunca acordam tristes, por quê têm sempre a certeza: a menina amanhã virá, estará, encantar-nos-á outra vez.

  É difícil acostumar-se com a saudade, mas é ao mesmo tempo um sentimento-prova. Quem ama gosta, quem gosta quer, quem espera o que quer e gosta, sente saudades. Simples deste jeito! A todos que dificultam a explicação do amor, que entendam, meu amor, que o próprio nada é se não inexplicável. Deve-se vivê-lo e não explicá-lo! Eis a diferença dos amantes para os poetas: os poetas são amantes; os amantes, superiores aos poetas. Estes tentam explicar o momento vivido por aqueles, pois quando se ama não se pode ser poeta, poeta sou nas horas em que não amo... Se disser amar somente às letras, a você e a mim próprio engano! Pois, é você quem amo.

   Palavras não me invocam saudade, sempre estou com elas. Seja na minha voz o na de qualquer um que viva. Tenho saudades apenas das palavras que saem da tua boca. Por vezes quero bebê-las, por vezes as quero provar... Nunca posso. A saudade falsamente acaba a cada encontro, na verdade, tenho saudades de você por perto e cada vez que adormeço (nunca mato) a minha saudade, meu coração palpita alegre na esperança gostosa de ter você nos meus braços pra sempre; nosso “sempre” é sempre tão difícil, amor.

   Seria bom se todos permitissem junção aos corações que se amam. Mas, tudo é tão injusto, a justiça só aparece nas horas mais erradas. Quando “todos” e “tudo” são os inimigos, quanto difícil fica a luta. Se todos soubessem do fundo cândido dos amores impossíveis! Se todos soubessem como os poemas que lhe envio são carregados de sentimento, se todos soubessem que cada pequena palavra vale mais que cem mil lágrimas! E que tais poemas, juntos, todos eu queimaria, se me fosse permitido beijar a tua boca. Se me fosse permitido uma noite com você, eu aceitaria viver um só dia, mesmo que depois eu tivesse que assistir, de cima das nuvens, a você acordar.

   Quem me dera, Amor, ter o poder de criar paraísos! Poderes eu não tenho, embora a receita seja fácil e esteja abrigada no meu coração, ela diz: eu, você e o silêncio dos outros.

   Com imenso carinho,
   Andrié R. S. Keller.
Andrié Silva
Enviado por Andrié Silva em 26/10/2006
Código do texto: T273823

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Sobre o autor
Andrié Silva
Salvador - Bahia - Brasil, 27 anos
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Andrié Silva