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SINOS DA ESPERANÇA

“Que o som das gaivotas esteja em seus ouvidos!
...que os pássaros cantem em suas janelas!”
Pastor Júlio Paris, de Salvador, Bahia. Recado em minha página no Orkut)

Quem deseja e faz o bem, tem o amor do Cristo como ferrete espiritual. Este sentimento do mundo é o que nos faz mais humanos.

Para a tua pessoa, Júlio Paris, que és um pastor de almas, estas propostas amorosas devem ter mais profundidade do que para mim, que sempre desejei ser pecador: sujar-me de lama, pisar e chafurdar na areia movediça das experimentações pessoais.

Por isso, escolhi a poesia para burilar a pedra bruta que represento.

Tenho que pedir a quem manipula os cordéis da vida que me faça mais simples sob o sudário do choro ou na veleidade do riso, porque tudo isto é plenamente humano.

Mas nem sempre me lembro de perseverar nisto, se não quando alguém me sacode nos sentimentos diários na estrada do viver.

Estou muito triste. Acaba de morrer um irmão em Artes, com quem convivi por 30 anos, neste mistério dos eleitos para a caminhada do fraterno.

Chamava-se David Benjamim Camargo da Silva, e tinha 73 anos. Seu coração era um sacrário de dedicação à causa do Teatro e da Poesia. Era um homem simples e puro. Vivia permanentemente fora do mundo real.

David Camargo era a personificação do “Estado de Poesia”, aquele momento único que permite fundir o verso no cadinho da inspiração, produzindo o embrião do poema, a visão da vida na linguagem amorosa dos “condenados ao pensar”.  Cada um com o seu fardo em cada degrau da escada estética.

Morre com ele um dos últimos bobos-da-corte. Os poucos que ficaram pra semente, da Idade Média até os dias de hoje.

Mais de 40 anos sendo o “pombo-correio” da Casa do Poeta Riograndense. Era ele quem dava as notícias, quer as boas, quer as dolorosas. E isto o fazia feliz. Não abria mão da primazia da novidade.

Foi o titular, por mais de 15 anos, da Comissão da Irmandade Solidária de Auxílio aos Necessitados e Enfermos – CISNE, órgão de solidariedade na estrutura administrativa da CAPORI, a nossa Casa do Poeta Riograndense, que completou 42 anos em julho passado.

Foi-se de nosso plano terreno o mensageiro. Deve estar chegando aos páramos da outra margem da vida. Ganhará asas para conviver com o Arcanjo Gabriel.

Esperar-nos-á no cais dos desesperados que se dirigem ao colo do Altíssimo. Porque nunca se sabe quando vem o derradeiro convite. É sabido e possível que se tornem rotos os sapatos alados sem se chegar ao destino final.

Perdão! Meus olhos marejam algo que não sei discernir bem: o trespasse, a seta mortífera que nos cega os olhos.

Não te disse que sou pecador nato? Nem o sofrimento me purifica! Agora, resta os neurônios olharem pra dentro do coração derramado.

Que os céus nos ajudem!

– Do livro CONFESSIONÁRIO – Diálogos entre a Prosa e a Poesia, 2006.
http://www.recantodasletras.com.br/cartas/276021
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 28/10/2006
Reeditado em 08/09/2008
Código do texto: T276021
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
2581 textos (709621 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 19:53)
Joaquim Moncks