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Acordes Temporais de uma Saudade...

Meu querido amor,

Fiquei imensamente feliz pela sua resposta às minhas cartas. Na verdade, você não imagina o quanto ela mexeu comigo... Primeiro, por ainda tentar conservar esta minha lucidez, às vezes, estúpida de achar que não mereço tais elogios... Sou tão humano quanto você com os mesmos defeitos e virtudes... Em segundo lugar, por ratificar cada vez mais os sentimentos que carrego em meu coração toda vez que sua presença se torna efetiva (ao menos pelas letras)...

Assim, não me julgues imprudente ou estóico em minhas letras nesta oportunidade, pois venho confessar-lhe que o meu primeiro impulso que tive ao ler hoje cedo suas linhas foi de largar tudo pro alto, atravessar este oceano que nos separa e buscá-la de volta... buscá-la de volta para meus braços, sentir de novo seu calor, dizer-lhe todas as verdades que, há tempos, venho guardando em meu coração e que só podem ser ditas no momento em que meus olhos fitarem os seus novamente...

Fico buscando sua lembrança em todas as pequenas alegrias que carrego em minha vida... Busco-a como forma de alentar esta saudade nostálgica e também ferina que me corrói por dentro... Sim! Sinto-me corroído toda vez que vejo que nosso tempo está passando e que nossa história ainda não foi escrita... Por que negamos o óbvio? Por que negamos o direito de sermos felizes? Desde o primeiro dia em que lhe vi, eu tive a certeza que você era a poesia que me faltava... Tive esta certeza pela estrela que lhe guia nesta vida, por sua luz e seu jeito alvissareiro de encarar os desafios que nossa história nos apresenta... Já encontrei muitas mulheres depois que você partiu, e todas elas me trouxeram um pouquinho de você, mas em nenhuma delas pude encontrar o mesmo brilho e a mesma essência em sua totalidade... Nessa minha busca pueril por esta poesia que me falta para ser feliz sempre me espelhei no que você representou em minha vida, dos sentimentos que foram despertados, do carinho recíproco que não exige nada em troca, deste carinho que ainda carrego em meu coração...

Esta minha busca tem se mostrado inútil, pelo fato de me sentir ligado a você de forma tão intensa, tão vivaz que nem mesmo esta distância e este tempo todo de afastamento puderam esvaecer nossa história não escrita...

Nós dois sabemos que esta distância não é nada se comparado com tudo o que conservamos um do outro. Nós dois sabemos disso, só que não aceitamos o fato de que a felicidade pode sim, ser realmente conquistada nas coisas mais simples... No amanhecer de cada dia ensolarado, no sorriso inocente de uma criança, na beleza que existe em cada um de nós... Nossa natureza humana não nos deixa enxergar o que, de fato, importa para nós dois...

Meu amor, neste quase cinco anos, sempre estive ao seu lado porque tive a certeza que nosso tempo ainda não terminou... Sua presença e lembrança sempre me alentaram nas horas em que perdi a fé, nos momentos de desânimo com a vida, nas incertezas das escolhas da vida que vivemos... Você esteve sempre presente!!!!

Não me negues o direito de amá-la... Não negues a si mesma o direito de ser feliz... Não levamos nada material desta vida para o outro lado... Faça um balanço deste tempo todo que estamos longe um do outro e reveja de que forma o seu caminho está sendo escrito... Você quer realmente ser feliz? Você quer realmente amar e ser amada em retribuição, minha Satine?

Sinto-me consumido e taciturno cada vez que vejo que nossos caminhos continuam em paralelos quase opostos sem a perspectiva de que nos encontremos um dia... Eu também sou humano e sujeito às mesmas fraquezas do espírito que você... Não me deixe semear palavras ao vento e ao léu, sem a certeza de que elas produzirão frutos e me trarão você de volta um dia... Liberte-me deste fardo da incerteza que, de soslaio, espera o momento certo para massacrar-me as esperanças de tê-la em meus braços algum dia novamente, de preenchê-la de vida por completo como uma simbiose una... De dizer-lhe que te amo com todo meu amor sem os arcaísmos que esta palavra possa parecer na visão dos outros...

Liberte-me deste jugo se fores tua vontade e se realmente tiveres a certeza de que nossos caminhos não se encontrarão novamente... Liberte-me dessa suspeição que têm se tornado cada vez mais atroz... Caso contrário volte para meus braços o quanto antes, retome sua vida de volta e permita-me encontrá-la novamente para consumar e confirmar todo amor e carinho recíproco que estes cinco anos não foram capazes de apagar... Da nossa memória e dos nossos corações...

Como sempre pequei pelo excesso de palavras, tenho que trabalhar este defeito...

Um beijo cheio de carinho e todo especial de quem te adora,

Alexandre

Ad majora natus
Alexandre Casimiro
Enviado por Alexandre Casimiro em 05/11/2006
Reeditado em 08/11/2006
Código do texto: T282763
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Sobre o autor
Alexandre Casimiro
Casimiro de Abreu - Rio de Janeiro - Brasil, 36 anos
67 textos (14588 leituras)
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Alexandre Casimiro