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Sem vocês eu não posso continuar.

     Retornávamos de um aniversario eu, você, a Fia e o Pedro.
     Não percebemos o caminhão que vinha desgovernado na contra mão.
     Foi tudo tão rápido. Quando acordei me encontrava em um hospital com alguns arranhões.
     Perguntei as enfermeiras onde estava minha família e então o medico, com frieza me disse: “Sinto muito mas toda as pessoas que estavam naquele carro, infelizmente faleceram.” Foi como se o tivesse perdido o chão, desmaiei. Não pude acreditar.
     Mas no outro dia fiz a mais triste caminhada da minha
vida, acompanhando com algumas pessoas os seus caixões. O teu mãe, o teu Fia, e aquele caixãozinho contendo o corpinho do Pedro.
     Quando seus caixões foram baixados a sepultura, foi como se um pedaço do meu coração também tivesse sido enterrado. Esperei todas as pessoas se retirarem e me ajoelhei aqui, diante das suas lapides.
     Queria ficar um pouco mais com vocês. Queria lhes dizer algumas palavras. Ó mãe você não sabe como o meu peito sangra por saber que não terei mais você ao meu lado me incentivando me apoiando.
     Haviam tantas palavras que eu gostaria de ter lhe dito, mas infelizmente não pude e nunca poderei dizer. Ah minha irmã como eu me arrependo pelas palavras ásperas que lhe disse, nós nunca tivemos uma relação fraternal, éramos dois estranhos infelizmente.
     Mas saiba que tudo que lhe disse foi “da boca pra fora” nunca desejei nada de mal a você, sempre te amei.
     Ah meu sobrinho,  como dói o meu peito por saber que nunca mais o verei, nunca verei o teu sorriso de anjinho, nunca mais você me chamará de tio... agora mãe chove torrencialmente, as gotas encharcam a minha alma, misturando-se as minhas lágrimas. Antes de vir para cá passei em uma loja e comprei uma corda. Trouxe-a escondida debaixo das minhas roupas, pois já sabia o que fazer.
     Pertinho das suas lapides há uma grande arvore, e nela vou de encontro ao meu destino. Prefiro qualquer coisa a continuar esta caminhada sozinho. Porque sem vocês eu não posso continuar. Não posso.


Arcanjjus Negrus
Enviado por Arcanjjus Negrus em 16/11/2006
Reeditado em 09/07/2009
Código do texto: T293326
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Sobre o autor
Arcanjjus Negrus
Pinhais - Paraná - Brasil, 34 anos
1310 textos (86485 leituras)
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