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PARA UM ANJO DESERTOR.





CARTA PARA SARAH.


Imaruí, SC, 18 de maio de 2000.




Para um anjo desertor:





Minha querida e inesquecível Sarah!
De onde estiveres, ouve o meu grito se ainda te lembrares que hoje faz trinta e oito anos da tua partida de forma súbita.
E eu pela distância fiquei impossibilitado em te oferecer o meu beijo de partida, para te ajudar na ascensão imponderável rumo ao inescrutável norte.
Agora, depois de transcorrido tanto tempo, eu quero beijar-te de uma maneira doce e virtual.
Eu sei que receberás o meu beijo de forma prazerosa com sintomas de eternidade; eis a minha santa irreverência a tua lembrança que hoje me povoa como coisa sagrada.
Não conheço o teu mundo atual, acredito que exista e, nessa crença hei de conhecê-lo, disso eu tenho a certeza e assim imagino como seja.
Às vezes, me pego meditativo vislumbrando-te em rápidas figuras, imaginando-te linda e feita de luz na magnitude da imponderabilidade, esse caminho inevitável de todos nós.
Vejo-te em dançantes silhuetas de luz opaca como névoa que se evola, embrumando os meus olhos tristes com o teu perfil de anjo trânsfugo, envolto em seda branca esvoaçante e com os teus cabelos de furioso ouro, soltos aos ventos, alada, intangível e de faces carmesim como celestial romã.
Tu deves estar mais do que linda!
Divinamente envolvida pelo verde éter, fluidicamente santa, transfigurada, espargindo luz e um encantamento indizível, aliás, em questão de luz, tu já eras privilegiada quando aqui estavas em nosso meio.
E hoje, tu és apenas um produto da minha imaginação, ouso somente te imaginar dado as minhas impossibilidades de ser mortal como tu bem conheceste.
Como tu sabes, ainda vivo carregando esta pesada matéria, criando como não poderia ser de modo diferente, as minhas limitações de humano.
E, assim sendo, sou um irreverente sonhando com o teu corpo lindo e jovial, como e quando nos amávamos entre as ruínas e os túmulos dos teus antepassados. Lembras?
Quero-te dizer que continuo aquele mesmo ocidental louco e apaixonado por ti, e que muito te fez sorrir. E, tão inconseqüente que, chega a te escrever como se pudesse enviar esta cartinha por um correio etéreo. E se isso fosse possível o faria com certeza. Duvidas?
Deves estar brejeiramente rindo de mim, da minha ousadia ou ignorância, assim como fazias quando soltos no mundo, passeávamos entre os monumentos antigos e pelas trilhas do deserto.
Ocasiões em que, me embriagava de amor em teus lindos lábios de menina Mubarack, sensualmente umedecidos e que continham a luz da sedução.
Persiste em minha mente, de forma irremovível e saudosa, a tua imagem gravada, como se ainda tu tivesses aqueles enlouquecidos quinze anos.
Quero crer que mesmo em outra dimensão, conservas a mesma fisionomia carnal, talvez mais aperfeiçoada e purificada.
Longe da primitiva e grotesca matéria, estando agora, envolta por ectoplasmas que te deixam transfigurada e translúcida.
Teus lindos olhos que eram da cor do arenito desértico e que outrora refletiam a beleza do manso Nilo, agora, eles devem estar contidos pelo verde éter indefinível desse teu novo paraíso.
Essa vaporização celestial deve te deixar como um Ente fascinante e lindo, adornando o teu lindo rosto de menina, pelo qual, eu me desequilibrei e fui tomado de amores por ti.
Sei que estarás sempre ao meu lado, contudo, amarga em mim essa espera que para ti não faz sentido ou nem existe.
Conforto-me em saber que, muito em breve, estaremos juntos novamente para desfrutarmos esse louco amor de forma interminável na tua morada inefável e transluzente.


Eráclito Alírio.




Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 20/11/2006
Código do texto: T296209
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 74 anos
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Eráclito Alírio da silveira