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MAJESTADE CRESPA

MAJESTADE CRESPA.





Uma carta alada.




Eu sei que estás muito ocupada, mas eu quero que saibas que sempre gostei das pessoas ocupadas, delas, ainda devemos esperar muita coisa sem que nos decepcionem.
Desejo firmemente que continues tirando sempre os teus noves (9), pois tu foste sempre uma mulher nota alta, não depreciada pela inflação, esse estado de coisas econômicas próprias de um país subdesenvolvido e decadente.
Dizer que as minhas poesias não carecem de consertos gramaticais, é bondade tua, necessito sim da tua imparcialidade para romper a minha pouca erudição lingüística.
Não é necessário devolvê-las, eu vou buscá-las e para preocupar-te um pouco além do trivial, estou remetendo mais algumas folhas datilografadas, para que te tortures com as minhas veleidades. (loucuras do vate).
Não sei o que fazer com elas, todavia as guardarei, quem sabe, sejam exibidas como uma homenagem póstuma. Uma vaidade desnecessária.
Ah com relação a tua vó, eu sei que não incomodo, mas se estiver realmente incomodando, foi uma forma que encontrei de ser útil.
Não sei o porquê o meu existir incomoda as pessoas, entretanto, quero existir o bastante para ser sempre esse incômodo agradável.
Com relação a minha neta que está para existir, rogo tão somente para que ela não se arrependa dessa manifestação egoística do EXISTIR.
Aguardo ansioso o seu existir para ratificar a minha velhice não assumida e teimosa.
Para mim tu continuas sendo a minha princesa, e tu serás sempre a minha princesa predileta.
Só deixarás de ser quando eu partir deste reino, aí sim, tu tomarás o meu lugar como a mais digna de todas as rainhas.
Eu sei que tu és muito inspirada, o que está acontecendo é simplesmente falta de sintonia, fato esse muito normal nos sensitivos, é que o mundo não nos sensibiliza com as mesmices de sempre.
O mundo é um tédio, mas temos de suportá-lo.
Nós somos especiais.
Continuo escutando as músicas, elas são as reguladoras que proporcionam harmonia em nossas almas.
Não dês ouvido para a orquestra humana e, nem penses no nada, porque ele não existe, é vacuidade.
Pensa no indizível Tudo, Ele sim, é o nosso suporte existencial de existir com o Infinito, com o Onipotente e com o Supremo.
Nós somos algo sutil que peregrina de forma evolutiva e ascensional, para retornarmos em espírito ao irrecusável Tudo.
O nada, nada origina nada dele gera, e assim, por assertiva filosófica só nos resta o inescrutável Tudo.
Estar feliz com a vida já é estar com o Tudo, o baixo astral é falta de sintonia com Ele, isto posto, estás de bem com a vida. Invejo-te!
Com relação à Josete, vai tudo bem, espero realmente que ela me ajude a ser feliz, o tanto quanto a quero fazê-la, e ela será a minha última e definitiva paixão.
Queira Deus eu não me engane!
Qualquer dia desses, eu te telefonarei para combinar um fim-de-semana quando irei a Florianópolis.
Com um grande beijo de rei numa princesa, reconhecidamente linda de bela.

Eráclito Alírio








Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 28/11/2006
Código do texto: T303713
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 74 anos
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Eráclito Alírio da silveira