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CARTA POEMA PARA GLAUCI

CARTA POEMA PARA GLAUCI – MINHA FORMIGUINHA.


Imaruí SC 12/2005

Ah, se tu soubesses como eu te pressinto, e como a aurora do teu corpo e do teu ser me desequilibra e o crepúsculo dos teus olhos me fascina!
Estar perto de ti ou saber da tua existência é viver intensamente um combate de relâmpagos novos.
Ocasião em que, tu te transformas em fortaleza intransponível e me repeles com a fragilidade do teu ser.
No entanto, ele trepida quando submetido a um insistente olhar ou a um simétrico grito de um pequeno poema.
Assim, vagueio pelas ruas calado sem me nutrir, apenas querendo saciar a minha hiante fome inextinguível no raio queimado da tua beleza, e me embeber na sombra líquida das tuas sobrancelhas.
Às vezes, não te quero.
Porque se te quiser, sou tentado a te amar e, se te amar, eu vou sentir que te quero para sempre.
Às vezes amo os teus lábios, porque são teus, e tenho a premonição que os amararia muito mais se fossem meus.
Pressinto os teus olhos, quero-os também, sou envolvido pela sua luminescência fogosa e, assim, sinto-me sedento de ti.
Gostaria que os meus olhos fossem duros e frios, para que ferissem para mim os teus olhos cândidos e tristes.
Quero tudo o que tens e o que ainda não tens. Como é e como será. Quero tudo harmonioso para dar ao teu corpo a perfeita sinfonia universal no envolvimento do amor.
 Quer seja emocional, quer seja carnal, quer seja espiritual.
Nasce de ti uma fonte cristalina límpida de amor.
Translúcido como cristal nativo recém minerado e, nessa transparência divina, sou projetado em seus vértices líquidos, refletido como nesga de luz que desencadeia de mim sobre ti, incendiando até as profundezas dos teus mais íntimos segredos. (na fotografia é claro).
Teus olhos são focos magnéticos que me eletrizam, transportando-me desse umbral para um mundo mais etéreo, menos primitivo, mais fluídico.
Pressinto-te tão próxima como à madrugada pressente o novo dia que está para nascer. E nesse pressentimento, sinto-te presente na brisa fresca da manhã que naturalmente, já brincaram com os teus cabelos e afagaram as tuas faces úmidas, pelo frescor da juventude que reveste todo o teu corpo tenro e macio.
Pressinto os teus cabelos livres e esvoaçantes como o trigo maduro, ondulando-se ao sabor dos ventos, numa planície tão grande que não cabe em um só olhar.
É no teu coração abrasado de amor que pressinto a tua beleza. Esse fascínio que te veste de candura, sabidamente que foi forjado no fogo da beleza.
Fogo esse que te devora por dentro e por fora, incandescendo-te em fornalha ardente de desejos em brasas hormonais e em sonhos longínquos.
Assim, pressinto-te como súcubu eterno, como uma aparição rara, esparramando calor e vida por onde pisas e por onde passas.
Tudo em ti viceja um encantamento de magia, um sonho de primavera, onde as flores reverenciam a tua ignota beleza, deitando pelos teus caminhos as suas pétalas e as suas verdes vidas. (Principalmente no meu Monitor).
Há muito te pressinto em minhas visões, ora como fada madrinha, ora como deusa e, às vezes, como serpente mitológica que se transforma em sereia navegando as nuvens.
Uma sereia alada de cantar angelical em melodia embriagante feita de canções misteriosas que, as nuvens levam no dorso branco de suas asas infinitas e chegam até a mim.
Procuro-te todos os dias nos rosto de todas as mulheres e não te encontro. Sinto que permaneces escondida e, agora, te pressinto ausente.
Talvez camuflada naquela mulher, àquela, que não resiste à insistência do meu olhar. E nem ao meu grito em versos ensimesmados.
Ah, como te pressinto nessa distância que se estabeleceu entre nós.
E assim, pressinto também que o que te escrevo possa estar te fazendo mal, e eu não tenho o direito de ceifar em trigal alheio.
Impondo-te o extravasamento dos meus sonhos e a minha imaginação sempre idílica, que partem para ti em folhas digitadas.
Verdadeiras asas partidas de uma alma rebelde na essência, por esse sentimento irrecusável em forma de uma imagem virtual.
Desejo é claro, te escrever sempre, porém, ficarão arquivados no meu sepulcro de emoções, os poemas feitos de água que às vezes componho para ti.
Preocupo-me com o seu efeito, penso que perturbam a tua serenidade, a tua vida palmilhada de preocupações outras.  Não seria eu capaz de levar esse rufar de desarmonia e intranqüilidade a tua alma tão boa e pura, assim como pressinto.
Por isso e por muito mais coisas que me furto em te dizer, pois não seria tão afoito para tal, assim, determino-lhes o fim e não os meios.
A fim de não gerar uma bruma confusa nos teus lindos olhos. A não ser que eu venha ter a certeza de que eles somente te fazem o bem.
Ah, eu recebi a tua mensagem, gostei, o mundo das coisas são práticas. De uma praticidade mecânica e fria, mas o Ser como criatura inteligente e perfeita é emocionalmente sensível.
Vibrante em fagulhas de amor que brotam do fundo da alma e que nos tornam diferentes dos chamados homens práticos, ou homens máquinas ou simplesmente “impuros”.
É nossa missão a incansável busca do tu, num caminho não traçado, às vezes, por veredas incompreensíveis e irrecusáveis.  Veredas cobertas quase sempre de mistérios, o que dá o calor místico. E de quando em vez, envolto por um encantamento indizível, mas o caminho é esse: inevitável, sôfrego, sobretudo sedutor.
Nessa procura, uma busca, existe, por certo, uma espera, quem não sabe esperar jamais alcançará o inesperado.  A espera é sábia, ela é um dos temperos da esperança. É ela que nos dá o sabor final, a harmonia vivida, o êxtase do prazer, a infinitude do amor.
O poder hipnótico que deténs nos teus lindos olhos me fascina. Se assim não fosse, não terias me inspirado a tudo isto que te escrevo. De certa forma, entorpecido pela tua força magnetizante, pois os teus olhos são os imãs do coração.
Se isto te fizer bem serei repetitivo, ou melhor, serei freqüente até que te aborreça em sono profundo, esquecendo a minha insistente obsessão.

Obs. Se quiseres me escrever, por favor, usa o meu e-mail que é o seguinte: heraclito1942@bizz.com.br penso que já te escrevi neste e-mail e recebi o teu, não sei se recebeste o que te enviei, me confirme, por favor. Todavia vou procurar nas mensagens enviadas e vê se acho o teu e-mail.
Hoje, ainda te escreverei quando voltar do interior, pois vou para lá daqui a pouco, na casa de um amigo meu, tomar um café com camarão ao bafo. Não sei se conheces camarão, aqui existe muito e eu simplesmente adoro.
Um beijo para não dizeres que não te falei de amor. Responda-me! A tua mensagem faz eco em meu coração, não o castigue, ele sente, tenha a certeza disso!
Obs. (a) - Estou enviando esta prosa porque estou em dúvidas se realmente a enviei.
         
            (b) – Eu tenho a impressão que, fui incorporado por Pablo Neruda neste instante. (Cruzes!)

Eráclito Alírio





Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 02/12/2006
Código do texto: T307409
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Sobre o autor
Eráclito Alírio da silveira
Imaruí - Santa Catarina - Brasil, 75 anos
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Eráclito Alírio da silveira