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A PENÚRIA DO MEU VIVER



Querida minha, é com pesar que lhe escrevo para dizer que hoje, angustiado; desprovido de qualquer manifestação positiva, colhi no jardim da memória, algumas letrinhas, às quais tentarei ordenar para que possam transmitir algum sentimento. Absorto, careço de algum estímulo com o poder de clarear minha escuridão.Quando a benévola imaginação dá sinais de fertilidade, eis que surge a intrigante ociosidade mental interpondo-se com firme intuito destruidor, borrifando ácido em meu jardim de letras.Sempre esbarro em mesmices que esmorecem meu viver. Não tenciono formar versinhos inconseqüentes que se resumem em banalidades recheadas de frases feitas acrescidas de surtos utópicos. Tento dedilhar alguma letra, o stress vem feito desgraça, interceptando qualquer iniciativa. Gostaria tanto de estar a teu lado,falar com você. Nesta noite, a tristeza veio me visitar impiedosamente. Desejaria que tudo parasse agora. Ando cansado de mim. Chego a duvidar da fé. Vejo minha foto amarelada retratar meu corpo, penoso invólucro,massa descartável que vai se distanciando do cérebro. Meu desmantelo é total. Acho melhor abster-me da tentativa poética, pois certamente eu iria afirmar que a felicidade não existe nos míseros versos tristes que ainda não escrevi. Ando depreciando-me, convivendo com as ausências criativas.Atado,vivo em profundo exílio, enclausurado no enegrecido jardim onde as letrinhas não afloram, cautelosas, quanto às minhas desesperanças.Sem flor, sem vida; tudo o mais se transforma num sepulcro deprimente. Você sempre ausente, não consigo elucidar o dom; não sou eloqüente.
Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 05/07/2005
Código do texto: T31185
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Sobre o autor
Paulo Izael
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Paulo Izael

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