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Uma Vida... Um Ex-Combatente

Tive a graça de nascer em um lar, cheio de harmonia, meus pais eram fazendeiros, no sul do País, tudo ia muito bem, nossa vida transcorria alegremente...

Na inocência dos meus 10 anos de idade, aquele alvoroço, nada me significava.
Eu e meus quatro irmãos, mais novos brincávamos, andávamos a cavalo...
Tudo transcorria na mais perfeita tranqüilidade, mamãe sempre com seus afazeres e cuidados com nós e com papai.
Era uma tarde de inverno, a chuva fina caia, da janela observávamos o espetáculo sem saber o estava por vir.
Era aproximadamente umas cinco da tarde quando parou uma charrete em frente de nossa casa...
Dentro dela vinha o capitão acompanhado por seus soldados.
Em nome da pátria meu pai estava sendo convocado a ir para o campo de batalha, a guerra se iniciava...
Na despedida, os olhos de mamãe marejados de lágrimas, ele se aproximou de mim e dize-me filho estou partindo e você é o homem da casa cuide de sua mãe e seus irmãos, caso eu não volte nunca os abandone.
Eu na minha inocência lhe respondi se você não voltar eu irei também lutar como soldado e hei de vencer.
O tempo se passou a guerra transcorrendo, e meu pai nunca mais voltou.
Apenas um medalhão de um ex-combatente.
As dificuldades vieram, e junto com elas começaram nossos tristes caminhos.
Eu e mamãe fomos levados a um acampamentos e meus irmãos a outro.
Da mesa farta que tínhamos nada sobrou.
Lembro-me que nesta época já com meus 16 anos comia junto com os animais, e quanto não encontrava procurava insetos, a fome era intensa.
Meus olhos se enchiam de lágrimas e fome, mamãe já de idade, não agüentava procurar alimento.
Não tinha banheiro, água, eram barracas de lona e chão batido.Mamãe adoeceu.
Era uma noite escura chovia forte, ouvi ela me chamar com sua voz fraca.
Filho estou partindo seu pai está ao meu lado e veio me buscar, siga seu caminho e vença esta batalha por todos que aqui estão
Foram suas ultimas palavras.
Dois dias após sua morte fui a uma pequena aldeia a procura de serviço...
Andava sujo imundo, descalço, quando vi estava de frente a tropa, o coronel me chamou...
Menino vem aqui...
Fui timidamente tremendo de pavor. Ele por sua vez olhou-me profundamente e falou-me queres vencer na vida?
Queres ter aonde dormir, o que comer e vestir.
Respondi que sim.
Então me siga
.E assim o fiz acabei por entrar no quartel em dois meses estava nos campos de batalha, de soldado fui promovido a tenente.
Nesta época eu estava já com meus trinta e poucos anos, o natal se aproximava, fui chamado a sala do coronel.
Filho a quantos anos você esta aqui...
Não sei respondi...
Mas eu sei hoje a noite vai haver uma reunião e os novos comandantes de tropas serão escolhidos gostaria que você estivesse presente.
Fui a tal da reunião parecia um outro mundo sem tiros de canhões, nem bombas, não havia dor, bem diferente dos campos de batalhas com que eu havia me habituado.
De tenente fui promovido a comandante...
Dois dias após saímos com tropas para campo aberto aonde era matar ou morrer.
Lembro-me
Perfeitamente quando gritei avançar... avançamos de todos os lados eram corpos largados, urros de dor...
Lutávamos com todas as nossas forças...
Vencemos aquela batalha, um campo inimigo a menos.
No dia seguinte seguíamos enfrente em marcha rumo ao sul, aonde as tropas inimigas tinham maior domínio, por volta do meio dia chegamos a uma aldeia, os soltados aproveitaram pra se divertir um pouco e se alimentar.
Aquilo me incomodava algo me puxava para fora...
Levantei e fui...
Vi um casal ele devia ter seus vinte e poucos anos ela mais nova com duas crianças uma agarrada em sua saia e outra em seu colo.
Chamei o rapaz ele quis correr gritei e os soldados prontamente vieram e seguraram-no.
Friamente lhe falei você segue conosco perdi muitos soldados e preciso, de homens.
Nem as lágrimas daquela mulher conseguiram fazer meu coração amolecer ou sequer pensar em algo a não ser a maldita guerra.
No amanhecer saímos em cavalgada continuando nossa marcha rumo ao sul...
Foram dias e noites montanhas rios, chuva sol, e continuávamos nossa marcha...
Quase um mês mais ou menos chegamos perto do campo inimigo...
Atacaríamos no amanhecer e assim foi feito, igual cobra rastejantes parte do pelotão se posicionou e outra parte comigo ficou...
Era exatamente cinco da manhã quando dei a ordem...
Pelotão atacar e assim foi feito o inimigo estava praticamente destruído havíamos vencido...
Quando fui erguer minha espada que aviamos vencidos senti um golpe por trás...
Meio atordoado não entendia o que se passava.
Os soldados rodeavam meu corpo estava ali no meio do campo de batalha como tantos outros decepados...
Eu observava e chamava, mas ninguém parecia me ouvir...
Quando ouvi uma voz que eu conhecia e muito bem, vem filho você venceu, vamos é hora de partir.
Apoiado pelos braços dos meus pais sai daquele campo de batalha...
Que em toda minha existência foram as pessoas que me ensinaram, a amar, e lutar...Vivi só naquela existência.
Minhas únicas companheiras foram a solidão, os campos de batalha de sol a sol e da mesma forma que vivi eu parti...
Fafá Lima
Enviado por Fafá Lima em 31/01/2005
Reeditado em 26/02/2006
Código do texto: T3142
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Sobre a autora
Fafá Lima
Sinop - Mato Grosso - Brasil, 51 anos
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Fafá Lima