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E QUEM SERIA A PESSOA CERTA, GAB?

PARA GABRIEL HANAN, CUJA FRASE ME DEIXOU CHEIA DE PERGUNTAS...

Meu querido Gab,

Isto era para ser um comentário sobre tua frase postada no Recanto :”e quem seria a pessoa certa para amar, se nunca estamos certos do que queremos?”. O que aconteceu foi que esta sua inocente frase acabou detonando uma tremenda “brain storm” no Tico e no Teco desta sua amiga.  Minha primeira consideração foi de que esta é uma perguntazinha  fiduma que qualquer ser pensante, em algum momento da vida, deve ter ficado queimando os miolos em busca da resposta. Daí talvez tenha vindo as famosas expressões “ninguém tem estrela na testa” ou “casamento é loteria” e segue por estas águas.
Para poder organizar a bagunça que a perguntinha inocente causou nos arquivos do meu hd, achei melhor começar pela parte que me pareceu mais direta e óbvia, que é a parte do “Defina”. Defina certo ou certa. É possível? Não me pareceu, lamentavelmente. Digo lamentavelmente porque desta forma, com tudo claramente definido, a gente faria uma lista daquilo que seria o certo, adequado e apropriado para o nosso perfil. Algo assim como quem escolhe o tipo de casa pra morar, a roupa que lhe cai melhor. Simples assim. Bastaria traçar o nosso perfil e, a partir daí teríamos a resposta imediata e as opções mais adequadas. Até o computador poderia fazer isto por nós. Mas é aí que começa o problema. No “nós”.
Primeiro, porque somos várias pessoas em uma só: aquela que pensamos ser, aquela que nossos pais acham que somos; a que nossos amigos acham que somos, a que parecemos ser, a que gostaríamos de ser e finalmente, a que somos, sem o saber. Já aí, querido, vês que o esquema fura espetacularmente. Como definir o par adequado, se nem somos capazes de saber direitinho quem somos?
Resolvi facilitar as coisas e passei para uma hipótese mais otimista. Partindo do princípio de que sou uma criatura dedicada ao auto-conhecimento e que, a estas alturas, já tenho bem claro pra mim quem é este ser que me habita, então está fácil saber qual meu par ideal para amar, certo? De novo, infelizmente, pode ter até mais chances do que no caso anterior, mas não. Na prática, a teoria é outra. Qualquer um de nós, com um pouco de sinceridade, irá admitir que não é hoje a mesma pessoa de dez anos atrás, e muitas vezes, nem a mesma de dez dias atrás. O que me servia ontem, hoje está fadado ao desuso, ao esquecimento, por não se aplicar mais às minhas novas vontades, características e necessidades. Assim, o príncipe encantado de quando eu tinha 20 anos, hoje certamente seria, numa hipótese otimista, o subnitrato do pó de merda do seu cavalo branco. A princesa dos teus sonhos adolescentes, com alguma sorte, pode ser a velha ama de companhia da mulher dos seus desejos atuais. Assim, foi-se mais uma possibilidade de fechar a equação.
Podes imaginar que a estas alturas, já me cansei um bocado de pensar num jeito de definir o certo. Apelei para a minha própria vida. Vamos à prática. Em épocas diferentes da minha vida, uma ainda meio jovem e outra, já meio madurinha, caiu diante de mim uma monstra interrogação envolvendo o amor. Evidentemente, a razão salta na frente, levanta milhares de considerações, e, no caso das mulheres, a primeira diz respeito à segurança (não estou falando de  dinheiro, mas do medo do desconhecido). E sempre tem alguém pra dar “bons conselhos” do tipo: “melhor uma porcaria conhecida do que uma coisa aparentemente boa, mas que você não conhece”. Superada a tendência a entrar nesta, vem todas as outras que não vou listar , porque ia precisar de um jornal pra isto. A verdade, Gab, é que só restam duas escolhas, das quais, uma é a mais importante. A primeira é “ se você não sabe o que quer, mas já sabe o que NÃO quer, já andou mais da metade do caminho”. A segunda, e que define toda a questão é o seguinte: se seu coração DECIDIR amar alguém, será muito tarde pra você perguntar se aquela é a pessoa certa.
Beijo carinhoso,
Débora
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 21/07/2005
Código do texto: T36504

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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