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UMA CARTA DE DESPEDIDA

Inexoravelmente chega o dia do adeus. O tempo vai passando e à medida que amadurecemos vamos também nos tornando mais exigentes e muitas vezes intolerantes com os deslizes do(a) companheiro(a). O amor, no caso, estaria acabando? Não sei. O que posso dizer é que se instala uma sensação de faz-de-conta, de acomodação, que envergonha quando analisamos o fato com a racionalidade que merece. É como se para não sorvermos o cálice da solidão nos acomodássemos a uma situação onde falta plenitude. Faço um retrospecto desses anos de convívio: tantos natais, carnavais, páscoas, e sempre o companheirismo. Como acaba o relacionamento? Talvez por mágoas, ressentimentos mal trabalhados. Sempre sugiro análise para que esses ressentimentos não se instalem no âmago de nosso ser. O que fazem de nossas sugestões? Jogam-nas no lixo!

Agora, sentada, escrevendo uma carta de adeus, lembro-me de quando o conheci, ainda menina.

O mundo dá tantas voltas que nos perdemos de vista para nos reencontrar depois de duas décadas. Você, então casado, separou-se para que ficássemos juntos. Deu certo? Diria que sim, pois ficamos muitos invernos aconchegados sob o mesmo cobertor, e também rimos e choramos em uníssono. “Que final triste!”, sei que nossos amigos dirão. A verdade é que um vazio imensurável se alojou dentro desse relacionamento. Eu não estava mais feliz.

Agora, sozinha, preciso viver a minha vida. Que eu brinde à essa decisão. Madura, sensata, verdadeira. Continuarei a ouvir os passarinhos cantando à minha janela, o som das ondas do mar, sentirei o cheiro de maresia... Rugas brindarão a chegada de meu inverno. Não verás, decerto, porém imaginarás uma senhora graciosa e prosa... Sei que o guardarei em um cantinho do meu coração. Seres humanos não são descartáveis. Nem perecíveis. Saem de nossa vida fisicamente, mas espiritualmente se instalam de forma indelével em nossa memória.

Que você seja feliz. Merece. Homem de coração gigante, alma generosa, doador de paz...

Siga seu caminho, colha suas flores e as coloque no altar das suas memórias. Que eu seja lembrada de forma doce. Compreenda que a vida é mesmo assim. Por mais que doa, é assim. E sempre vale a pena viver!

Em algum porto seguro, ambos sorriremos ao lembrar essa jornada à qual tentamos dar sempre o melhor de nós.

Esteja certo de que para mim valeu!

 

Belvedere

 
belvedere
Enviado por belvedere em 10/09/2005
Reeditado em 03/04/2006
Código do texto: T49382

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Sobre a autora
belvedere
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
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