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Eu te amo

BsB, 27 de agosto de 2007

Meu velho e querido amigo, como vai? Pouca coisa neste mundo me deixa tão contente quanto ter o seu endereço para poder lhe escrever quando quero e preciso. Hoje me tranquei dentro de mim, joguei pela janela as chaves de minhas gavetas, botei minhas idéias para fora pois não queria sequer lhe contar o que andei fazendo e conversando por estes últimos dias, mas o desejo in_contido não permitiu que eu fosse dormir sem deixar registrados os fatos que hoje vivi e que pretendo lhe contar como se conta um segredo para um irmão. Confesso que os meus olhos estão pedindo cama, que as horas então me torturando, ainda assim não vou me permitir calar. Amanhã quando o dia nascer certamente terei mais uma carta para lhe enviar, espero e torço para que chegue em suas mãos o mais rápido possível, sei das dificuldades do correio mas nem por isto vou deixar de desejar que a receba o quanto antes. Sempre que me sento para escrever-lhe é um prazer intenso, é uma alegria transparente que brota em meu corpo e minha alma.

Você mais do que ninguém sabe das minhas limitações para falar desta coisa maluca que é o amor. Sabe o quanto me custa despir-me de todos os tabus que criaram em minha cabeça quando mal sabia o que era o sexo “frágil”. Quantas vezes tentei dizer à minha amada o quanto a amo, mas as palavras não saem, não brotam, não criam raízes dentro de mim. Às vezes me cerco de subterfúgios espalhafatosos para demonstrar meu querer maior. Ela percebe minhas dificuldades, tenta ajudar-me, tenta colocar palavras em minha boca. Mas, porém, todavia, contudo... Esquivo. Quando muito digo quase com medo: "adoro você". Às vezes sinto que ela faz um esforço danado para escutar minha voz que sai quase aos trancos, chego a sentir sua respiração de tão próxima que fica quando esboço um gesto mais ousado. Sei o quanto ela gostaria de ouvir de mim três palavrinhas mágicas. Sei também o quanto faria bem ao meu ser pronunciar tais vocábulos. Infelizmente a oratória não fez parte dos meus estudos. O verbo amar nunca foi conjugado na minha escola com a profundidade que os poetas sempre exigiram. Meus professores de português não gostavam de Sócrates.

Ah, meu amigo, são cinco horas da madrugada e ainda não lhe contei quais foram os fatos importantes que pensei ser preciso deixar registrados, mas a noite está escura, os sabiás que cantam na escuridão já estão acordando, já dão as primeiras notas de bom dia à manhã que se apresenta. É mais um sinal de alerta para que eu vá dormir. Pensando bem, há coisas que nem se deve registrar em palavras e já que hoje é o Dia do Psicólogo, quem sabe eu encontro no caminho para o correio alguém que queira estudar os fenômenos que ocorrem em minha pobre mente?
Pedro Cardoso DF
Enviado por Pedro Cardoso DF em 27/08/2007
Reeditado em 27/08/2007
Código do texto: T626385
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Pedro Cardoso DF
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 69 anos
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