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"Cazuza, o tempo não pára"

BsB, 31 de agosto de 2007

É meu amigo, o sabiá está eufórico, canta sua dor como se fosse a minha. Lá no último galho da laranjeira ele é soberano, aqui, no silêncio de minha angústia sou apenas mais um a ouvir o seu canto. Hoje não vou falar de minha amada que, certamente, está a sonhar com a grandiosidade do universo. Quero falar de uma psicóloga que escreveu um texto sobre o filme que fala da história do músico e compositor Cazuza, especificamente onde ela diz: “as pessoas estão cultivando ídolos errados”.

É engraçado como vemos nossos semelhantes. Nos julgamos como se não tivéssemos valor algum, a não ser pelo entesouramento que fizemos e fazemos durante o caminhar de nossas vidas ou por nossas falas.

Sempre pensei e acreditei que os psicólogos fossem pessoas que se dedicaram e dedicam aos estudos dos fenômenos da mente humana. Porém, lendo esse texto percebo que, para esta psicóloga, não é bem assim. A autora do texto tomou como verdade o que foi representado no filme “Cazuza, o tempo não pára”. Todos sabem que na arte cinematográfica existe um porquê de ficção, sabem que ninguém está obrigado a retratar com fidelidade os fatos por ela abordados. Até porque a realidade nua e crua, certamente não dá bons filmes e, pior, tira do cineasta o que ele tem de mais importante – a criação. Com isto, podemos inferir que uma coisa é o filme, outra coisa bem diferente são os fatos verídicos que os registros revelam.

Acho complicado afirmar que “as pessoas estão cultivando ídolos errados”. Vejo os ídolos como semideuses, criaturas que estão acima de nós alguns anos-luz. Para mim, Cazuza foi um cidadão que se deu o direito de viver tudo ao mesmo tempo, que se deu o luxo de experimentar de tudo sem pudor ou pecado. E se não fosse assim, ele seria apenas mais um. Pessoas comuns não vivem eternamente.

No meu entender a vida é uma invenção, cada um escolhe aquilo que mais lhe agrada e dá prazer. A verdade é que ele viveu uma centena de anos em pouquíssimo tempo. Alguns vivem até mais do que ele, mas em compensação não realizam nada, não constroem nada. Passam por aqui como quem vive do passado e sonha com um futuro brilhante. Os ídolos são seres superiores, criaturas iluminadas, que não nasceram para serem julgados, principalmente por seus atos enquanto gente.

De algumas coisas eu tenho certeza: Cazuza não precisava de uma psicóloga como essa - ele já nasceu grande. Se eu fosse essa criatura assistiria o filme novamente, acho que ela passou o tempo todo comendo pipoca estragada.

O filme revela a degradação física de um ser humano. Mostra que Cazuza não abriu mão dos seus sentimentos mais puros e muito menos dos prazeres que lhe restavam.

Viva o POETA Cazuza!!!...

Um grande abraço,
Pedro Cardoso DF
Enviado por Pedro Cardoso DF em 31/08/2007
Reeditado em 03/09/2007
Código do texto: T633024
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Pedro Cardoso DF
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 69 anos
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