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Meu doce amigo,

Goiânia, 25 de agosto 2007

Acho que ainda posso chamá-lo assim, pois depois de tudo que compartilhamos não há distância que nos separe e nem mal-entendido que perdure.
Ontem no aeroporto, quando me deu seu abraço já tão conhecido e o gostoso beijo na face jamais imaginei o que viria a seguir. Foi com constrangimento e perplexa que recebi sua declaração de amor, embora deva confessar que foram as palavras mais lindas e sinceras que emocionariam qualquer mulher, então num momento de ternura lhe retribui com um forte abraço. Não de quem tem condições de corresponder, pois para mim você será sempre o amigo querido, que sabemos tanto um do outro, sem medo, sem segredo. Aquela lágrima que brotou nos seus olhos queimou a minha face. Aquele seu olhar transtornado foi como um punhal a atravessar meu peito.
Quando consegui balbuciar alguma coisa, percebi que minha expressão já tinha lhe tido tudo, afinal você me conhece tão bem! Com a voz enrouquecida pela emoção, tentei lhe explicar o tipo de amor que sinto, mas você simplesmente virou as costas e caminhou para o seu destino, envergado pelo peso da dor.
Aguardei que entrasse em contato e me falasse que entendeu, pois nunca alimentei e em hipótese alguma deixei transparecer que você era mais do que meu irmão de fé, de risos, de choro. O meu "crítico" literário. Com quem tomo sorvete na praça, para quem faço pirraça, com quem ando pelas calçadas, com quem vou ao cinema para comer pipoca naquele balde quase maior do que eu.
Lembra do dia que fomos ao circo? Você era o maior palhaço, passei mal de tanto rir e depois no seu colo confiante adormeci.
Lembra quando fomos ao teatro? Quis tirar uma foto do Miguel Falabela em cena e quase nos expulsaram da platéia.
Lembra do dia que fomos ao shopping e fingimos ser americanos, nos divertimos a tarde inteira, feito duas crianças.
Lembra quando fui visitá-lo no trabalho e lhe pergutaram se eu era sua filha? Você todo sem jeito, de paletó e gravata, explicou que era uma amiga querida e para embaraça-lo beijei rapidamente seus lábios, escandalizando sua secretária.
Então meu querido como podemos deixar tudo isso para trás?
E aquela moça que você dizia amar? Quantas cartas escrevemos juntos, com as mais sensíveis declarações de amor para sua amada? Ah não, Não acredito que eram para mim! Fui uma tonta. Nada percebi. O quanto devo tê-lo feito sofrer!
Quando voltar venha, vamos conversar! Quem sabe você vê que está confundindo seus sentimentos, pelo momento de carência que ambos estamos atravessando. Não quero perdê-lo.
Não se esqueça, você é meu bem querer.

Nina
Mel L Frankust
Enviado por Mel L Frankust em 03/09/2007
Código do texto: T637132

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Sobre a autora
Mel L Frankust
Goiânia - Goiás - Brasil
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Mel L Frankust