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Tango pra Teresa

BsB, 12 de outubro de 2007

Jovem e ilustre amigo, como vai? Eu vou de cara lavada, mas vou como nunca fui. Às vezes entro em vias erradas, mas logo pego o caminho de volta pra casa. As curvas geralmente não são perigosas por onde ando. Nada muito complicado ou sofisticado. Hoje por exemplo, as ruas por onde fui, estavam desertas, entregues às moscas e ao tempo, que nada pode fazer. A meninada que vai à escola está de recesso, o guarda de trânsito que deveria estar na esquina controlando os veículos, tirou folga. Não sei se ele tem filhos, provavelmente tenha uma escadinha de dar inveja aos canadenses. Mas tudo isto é compreensível, hoje é o Dia das Crianças, nada mais justo!

Minha amada aproveitou o feriado para visitar os seus pais. Afinal de contas ela ainda é uma criança em crescimento. De acordo com suas palavras, tinha muitos assuntos em pauta necessitando de ajustes, o que não fazia há um bom tempo. Esses embates, depois de certa idade, ficam complexos e doloridos, muitas vezes cortam na carne. As palavras ganham peso adicional, carregam um significado mais maduro e não permitem reticências. Muitas vezes nos levam a beijar a lona em dias de ensaio, são ganchos de direita e esquerda... um verdadeiro massacre. Fiquei quieto, imaginando... que mistérios são esses? Sem saber o que estava acontecendo liguei o rádio do carro em um ato mecânico, como faço na maioria das vezes. E, como se algo de novo estivesse para acontecer, ouvi: “a luz do cabaré já se apagou em mim”. Que coisa estranha! Subitamente mudei de estação. Mas a voz de Ângela Maria permaneceu em meus ouvidos por vários minutos. Aquela melodia entristecida fez brotar em mim o desejo de sair dançando. Infelizmente o tango é uma dança que não pode ser realizada a não ser a par. Naquele momento eu era apenas um homem ímpar com vontade de sair voando em compasso de dois por quatro.

Ah, eu daria o meu mundo pra saber o que está acontecendo e, se não bastasse, daria também todos os meus sonhos e mais as minhas economias de beijos e abraços, que guardo em total segredo. O amor é mesmo um presente dos deuses: ora me faz sonhar, ora me faz voar, ora me faz acreditar que sou grande demais. Quando menos espero me faz ressurgir das cinzas!

Minha amada é uma estrela que guia meus pensamentos, é uma flor que não perde o viço, é uma mulher que nasceu perfumada.

O tempo está tentando fazer-me acreditar que estou ficando mais velho, mas às vezes é preciso dar tempo ao tempo para que possamos acreditar que tudo é possível, que o Dia das Crianças é para ser festejado. Espero que minha amada ganhe muitos presentes e um monte de flores. E, se a conversa for dura demais, que os deuses permaneçam em silêncio para que eu ouça sua voz ainda que aos prantos.

Um abraço meu grande amigo.
Pedro Cardoso DF
Enviado por Pedro Cardoso DF em 15/10/2007
Reeditado em 16/10/2007
Código do texto: T695245
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Pedro Cardoso DF
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 69 anos
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Pedro Cardoso DF