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Carta de MISS PURPURINA – Ainda em Balneário Camboriú




Cidade bem precisa que não me interessa
Dia nublado, insosso, querendo chover.



Queridérrimos! Nossa, errando se aprende e comendo se engorda! Quero engordá-los de boas recordações...

Domingo, como disse quase chovendo? O que fazer em dia desses? Praia, nem pensar! Loucuras, ta, isso eu faço sempre, me dêem uma nova... Tudo bem , a pergunta foi muito idiota, porque modéstia a parte sou bem criativa e tenho sempre idéias do que fazer, seja em qualquer lugar, qualquer sentimento, qualquer situação. E eis que passei a revirar fotos de outros dias do passado, porque recordar é viver, e amar é viver, então vivo porque te amo, hehehehehe, que frase estúpida, mas no clima brejeiro do bem, bem acompanhada vi tantas fotos, momentos que o eterno frisou em sua boca cintilante, e eu tenho aos montes pra jamais esquecer quem eu fui, e informar aos interessados desconhecidos e insábios.
Fotografias (bem tiradas, de poses maravilhosas e não) de todas as épocas desta pequena estrela do universo, desde a infância, do meu nascimento (porque mamãe e papai também adoram foto) até uma de semana passada no parque Beto Carrero World, em minha 29ª visita ao paradisíaco planeta.
Pra quem não sabe, pra contar mais de algumas fotos, eu nasci na Inglaterra, em Liverpool, mesma cidade onde nasceu a banda Beatles, minha mãe é inglesa, e meu pai era brasileiro, embora ela tivesse alguns parentes aqui, como uma velha tia rica, elegante, bonitona e socyalite, que preservava costumes ingleses, e tinha uma bela mansão, foi encontrada morta na piscina da mesma... É, eu sei que é coisa de cinema, mas lembrem-se que minha vida é uma arte.
Já por mais sem menos, morei em várias cidades do sul e sudeste, tais como Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre, e a ilha da magia Florianópolis, para papai apenas as capitais eram cidades de verdade, mas sempre visitávamos outras cidades da fantasia maravilhosa que é Santa Catarina, como Brusque, Blumenau, Joinville, Itajaí, Itapema, Balneário Camboriú, entre tantas outras, e aos dez anos de idade, nos instalamos em Balneário, definitivo, embora a palavra definitivo não exista de verdade, pois tudo se acaba ao mesmo que nada se vai, e vice-versa para sempre, porque excluindo o cobrador e o motorista, tudo é passageiro! E nesta bela Balneário Camboripu, hoje um dos maiores pólos de turismo do Brasil, e a segunda menor cidade de Santa Catarina, é que constitui minha dolescência, sempre viajando muito, fazendo merdas, vomitando em frente ás lojas e nas pratas de minha mãe, roubando revistas de moda e arte, e conhecendo sempre mais, porque tudo ainda não é o bastante, então que explosões de hemisférios sejam bem vindas já que não me conformo de que o mundo é só isso.
Mas ao contar de dias em BC (Balneário Camboriú), é assim que a gente a chama hoje em dia, sigla, a gente de toda parte adora siglas, eu passava tardes incríveis, dias inteiros de domingo, em companhia de duas divas, amigas da alma, de peito pra serem minhas de verdade: Luciana, e Berta (Por favor, não façam piadinhas com o nome de Berta.. mas se quiserem tenho ótimas sugestões, já que nós mesmos fazíamos), Lú mais nova um ano, Berta mais velha um ano, eu no meio, e deixando fresco na memória de que ainda era menino nesses tempos, tinha eu, Waldir (amo meu nome de macho, daí vem o Walkíria), e Júnior, o Antônio Júnior, juninho pra nós, lindo, morria de tesão por ele, alto, olhos azuis, encorpado, rosto bem desenhado, limpo... Ah, acho que era apaixonada!
E houve uma tarde em especial, a quem eu fiquei sabendo que eles eram de verdade, pra sempre, primeiramente pra começar um domingo bem legal demais, foi as dez da manhã, depois de um sábado que tínhamos assistido “os mortos vivos” pela segunda vez na TV (era a sensação na época, aqueles efeitos chinfrins, sustos bem mal feitos nos impressionavam bastante) que Berta ligou pra minha casa, pra irmos almoçar fora, num restaurante mesmo, e a tarde ver um desfile de modelos, o sonho dela era ser modelo, mas era baixinha e feia. Pulei da cama, tomei aquele banho, deixei nosso casarão na atual Avenida Atlântica a beira mar, onde ainda tenho dois apartamentos desde a época, disse a minha mãe que a amava, e fui me encontrar no camelódromo com a galera, e tinha uma prima do juninho junto com eles, a Natassha Letícia, menina entojada, patricinha, uma barbie de plástico do paraguay, ela estava passando as férias em BC, quatro dias com a família, tinha mais ou menos a nossa idade, mas era moça da cidade grande e agia como moça da cidade grande, sem saber viver e rir, na volta pra casa dois dias depois, quando voltavam pra casa, em Lages, um acidente de carro matou ela , o pai e a mãe dela que estava grávida de sete meses de gêmeos. Fomos então passear, ver as novidades no sebo e dos câmelos, a maioria de nossas roupas, acessórios e maquiagem eram dos camelos, e além de ser mais baratos, como éramos conhecidos por ali, faziam mais barato ainda. Foi aí que fomos no restaurante que não lembro mais o nome, mas hoje em dia é o Pimenta Rosa, na Rua 1001, na parte da Av. Brasil pra Av. Atlântica, nós já havíamos atacado aquel duas vezes, e era maravilhoso... Falo atacar porque não iríamos pagar, tínhamos comida em casa, mas aquilo era digno de Deuses: muitos frutos do mar, massas, quitutes diversos, variedades, carne de carneiro, coelho, javali, todas as iguarias que um classe média se deslumbra em descobrir tinha ali, além da boa música, decoração, e no ponto crucial: era fácil fugir sem pagar!
Então no maior carão, escolhemos mesa perto da saída, comemos, enchemos no esquema
Buffet livre o parto duas vezes com tudo, TUDO! E coreografado, cadeiras se afastaram leves, e no maior da distração dos serviçais lá estávamos nós na rua de barriga cheia, já longe da vista de quem quer que fosse. E o receio por morarem ali perto? Que nada, era só ficar distante uns tempos, e negar até a morte caso acontecessem abordações, mas nunca aconteceram. No shopping, bem na entrada, uma louca vontade fazer cocô nos invadiu, era praga dos donos do restaurante, também pudera, misturamos tanta coisa que precisávamos esvaziar mesmo.  As meninas não podiam, pois estavam todas as cabines do feminino trancadas, e  fotos todos pro masculino, sem pudores, estava vazio, e a vontade enorme, só um cara da limpeza estava de olho, e impediu as meninas, elas não deram bola, e se trancaram cada em suas cabines rindo... Cagávamos e contávamos piadas, lavamos as mãos juntos e fizemos show para o espelho, o cara da limpeza já não estava mais lá. No desfile de moda, de uma revista de Florianópolis vimos pouca coisa interessante, as “tendências” eram terríveis! Assistimos então um filme em cartaz no cinema: “ A volta dos mortos vivos 2, A Ressurreição final”, muito mais assustador... (aff). Inventamos de ir na barra sul a pé, era muito longe, de um lado a outro de Balneário, onde tinham outras tantas lindas praias, mas que minha mãe me mataria se soubesse que eu tinha ido. E no caminho fui atropelado, me machuquei um pouco... Me levaram no colo, pra não gerar atritos com minha mãe, pois ela era na época muito brava e além dos ferimentos já em prejuízo, ganharia grande castigo.
Chegando em casam nem sabia onde enfiar a cara, e ela ficou olhando a gente entrar, eles me ajudarem a sentar no sofá, com aquela cara de interrogação: “Que porcaria foi essa?” Também preocupada logicamente. A apresentação teatral mais bonita que eu vi foi feita naquela hora, com uma absurda história de que tínhamos inventado de desfilar na passarela, e eu tinha caído, me quebrando todo, cheios de argumentos, caras e bocas, Berta era e ainda é incrível, foi ela quem me levou para assistir a primeira peça de teatro que vi em Itajaí, e participa até hoje de peças na Brodway. Minha mãe se convenceu, e nunca ficou sabendo que eu fui a pé na Barra sul, embora o drama inventado pudesse ter sido bem menor, a história realmente convenceu, e quase chorei pelo sólido companheirismo... Depois que voltei do hospital, ficaram até segunda de madrugada me fazendo companhia, e passavam todo dia lá em casa, até ficar bem bom de novo...
E hoje estão todos aqui, menos o juninho que está casado com Berta, mas teve de trabalhar, cumprir o plantão do hospital, estamos juntos vendo foto, chorando e escrevendo cartas a Deus dará,


Perdão pelo tom melancólico, que nem parece a mesma Walkíria, mas era assim que era pra ser isso. Beijo quente e refrescante molhado de glitter e gloss, em breve escrevo mais...
Purpurinas!!!




Walkíria Werônika



Douglas Tedesco
Enviado por Douglas Tedesco em 22/10/2007
Código do texto: T705438
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Sobre o autor
Douglas Tedesco
Tijucas - Santa Catarina - Brasil
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Douglas Tedesco