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Desculpe

Não, não sei do que os outros sentem quando passam por mim neste cantinho.

Poucos aqui vem e poucos falam alguma coisa. Mas, sei do que eu sinto.

Não quero ser admirada.
Na verdade não me importo com o que pensam sobre o que falo, o que escrevo.

Se me importasse não poderia escrever.
Teria de me calar, pois vejo que cada vez mais passo a imagem de quem realmente sou.

Pessoa pobre de espírito, confusa, enrolada, cheia de medos, construtora de mundos encantados feitos sob encomenda para ferir e machucar a própria alma.

Por isso acho que o sol fugiu deste céu.
Criei tanta história, tanta lenda, imaginei tanta coisa que afastei de mim sua preciosa luz.

Sabe porque esse lugar nasceu?

Nasceu para que pudesse falar o que sentia quando tudo se calou para mim.
Foi no momento em que mais precisava.
E fiquei sozinha, sozinha.
Sem ninguém mesmo.

Ninguém com quem falar o que sentia, o que tinha descoberto.

Senti tanta falta, tanta solidão e senti que precisava de um lugar para falar o que estava explodindo aqui dentro.
E fiz este cantinho para isso.

E então a luz do sol brilhou aqui e iluminou este vale de lágrimas.
Falou comigo, disse tanta coisa, prometeu que sempre estaria aqui, disse-me para sempre sorrir, que um dia o inverno iria acabar e logo a primavera chegaria, que esta estrela, pequena estrelinha, era aquela que sempre esperou, e... um dia... um dia... se foi... apagou sua luz para a noite que chegou eterna.

E já faz mais de um século.
E sei que a culpa é minha.
Com meus altos e baixos, minhas idas e vindas afugentei sua luz.

Em todos os lugares onde brilhava se apagou.
De vez em quando, quando o tempo é propício, como ontem, sua luz surge por entre as nuvens nebulosas, por um pouquinho só.

Não sei mais de nada. Não consigo sentir. Por isso esse desespero.

Já nem sei mais quem sou. Já nem sei mais o que digo, o que penso.

Espero, espero algo acontecer. E, nada acontece.

Fico aqui, deste lado da janela do tempo, sentido-me completamente só. Completamente só. Cansada de falar das minhas tristezas, meus risos, meus pensamentos tão tolos mas tão íntimos e cheios de mim.

Estou cansada, cansada de tudo. Com vontade de sumir sim deste lugar...

Em alguns momentos até a ira invade meu ser, queima meu sangue. E fico pensando em magoar também, ferir também.

Mas como magoar alguém ou algo que nem se importa, como?

A indiferença não vê amor ou ódio. A indiferença passa por ti sem que perceba e nem te vê.

E como magoar alguém com quem você se importa mesmo que nunca viu a cor da pele, o sorriso da face? Não tem como.

Você só quer que essa pessoa seja feliz. Deseja que ela sim encontre a felicidade, mesmo que você esteja morrendo de dor.

E vejo a luz do sol que não sai do meu pensamento e quero tocar suas cores, pegar seus raios em minhas mãos, dizer tanta coisa que nunca disse assim, de igual para igual.

De luz para luz. De espírito para espírito. De alma para alma. De coração para coração.

Dizer tanta coisa que ainda tenho para dizer.

Só mais uma coisinha... só mais uma coisinha... mas não tenho mais forças outra vez... elas se foram com esta manhã nebulosa...
Maria
Enviado por Maria em 03/11/2007
Reeditado em 03/11/2007
Código do texto: T721581
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Sobre a autora
Maria
Blumenau - Santa Catarina - Brasil
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Maria

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