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Carta de Amor

Lembras-te de eu ontem te ter dito que me sentia como uma criança, e que me sentia bem a viver com esses sentimentos?
Pois bem uma li uma máxima que fez sentir de novo criança, é que as crianças todos os dias aprendem coisas novas e, eu, desde que te conheci que vivo numa aprendizagem constante.
Recordas ter-te dito de como me levaste a conseguir descodificar tantas palavras que, eu, já conhecia mas cujos significados eram para mim vazios:

  FELICIDADE – Palavra que, para mim, estava associada a uma meninice vivida de forma tranquila, com o consequente germinar de uma personalidade construída na base da verdade e da lealdade; a uma infância cheia de bons momentos, escola, amigos, família, com o reforçar da personalidade através da compreensão, do respeito pelo próximo e por aqueles que me eram queridos; a uma adolescência de liberdade e evasão pessoal com o cimentar dessa mesma personalidade através da aquisição da responsabilidade e depois todo um percurso de vida onde desfrutei de momentos de paz interior, de felicidade individual, tal como o nascimento da minha irmã, o nascimento da Inês, minha filha, e algumas vitórias pessoais, mas nunca felicidade na estrada do amor, aí apenas vivi, algumas conquistas, que depois se revelaram efémeras, compensava toda a superficialidade dessas mesmas conquistas com o reconhecimento que alguns amigos faziam o favor de me dar, com a paz, a tranquilidade e a sabedoria que um homem simples, meu pai, teimava em transmitir a todos os que tinham o prazer de conviver com ele, nunca olvidando que era por bênção de DEUS que eu usufruía de todo este clima de tranquilidade. Demorei então quarenta e sete anos a descobrir o grande e verdadeiro significado da palavra felicidade: AMOR.
Senti um grande turbilhão de sentimentos, parece mentira mas no preciso momento em que descobri o amor, descobri também muitas das minhas fraquezas, fraquezas que eu nem imaginava que eram parte constituintes do meu EU, uma dessas fraquezas era o MEDO, é verdade um homem adulto também tem medo, tal e qual como uma criança.
Só que tal como uma criança vai descobrindo coisas novas, todos os dias, eu também vou fazendo descobertas, por vezes da forma mais inesperada, foi precisamente o que aconteceu com o meu MEDO, descobrira-o de repente, e igualmente de repente reparei que ele desaparecera.
Como é que era possível?
A resposta encontrei-a há tempos, mas só hoje, ao ler uma máxima de um monge Birmanês;

“Só há uma coisa mais forte do que o medo, O AMOR”
Estava ali, naquela simples frase, a razão do desaparecimento do meu MEDO, eu, finalmente saboreava o amor, não estou a dizer que nunca conheci ninguém que me tivesse amado, seria injusto e ingrato, tive o amor dos meus pais, dos meus amigos, da minha família, da minha filha, esse eu senti-o, bebi dele e retribuí, tal de forma insuficiente, mas eu refiro-me a um outro género de amor, e mesmo aqui eu não posso dizer que nunca fui amado, acredito que sim, mas nunca bebi dele, é algo complicado de explicar, nós sabemos que alguém nos ama mas não conseguimos retribuir, ou somente beneficiar desse sentimento, excepto os hipócritas.
Finalmente fez-se luz na minha pobre mente, era uma coisa tão simples, ali mesmo à minha frente e foi preciso que alguém mo apontasse para que eu o descobrisse, a minha procura, tinha terminado.
É verdade eu que sempre questionava tudo o que me acontecia, porque é que eu teria de ser um bafejado pela graça de DEUS?
Ali estava a resposta, a solução para todas as minhas inquietações, para todas as minhas dúvidas resumia-se a uma palavra muito simples, mas ao mesmo tempo muito forte, especial: ISABEL.
Pode parecer muito vago, Isabel é um nome algo comum, talvez daí a minha dificuldade em interpretar as pistas que DEUS colocava na minha caminhada, eu sentia uma certa atracção pelo nome, só ainda não encontrara a pessoa, e como ainda não encontrara a pessoa, também ainda não encontrara a palavra certa, aquela que esvaziaria a arca dos meus medos, e afinal essa palavra mágica é simplesmente AMOR.
Conjugando as duas palavras, ISABEL e AMOR, senti como que um raio que rasgou os céus e desfez essa arca que parecia teimar em me acompanhar até ao fim da minha vida, senti-me renascer, senti-me de novo: CRIANÇA.


AMO-TE por me dares a felicidade de voltar a ser criança.

Francis
FrancisFerreira
Enviado por FrancisFerreira em 11/11/2007
Reeditado em 20/01/2008
Código do texto: T733342

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Sobre o autor
FrancisFerreira
Portugal, 59 anos
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FrancisFerreira