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Palavras trazidas pela noite

A um destinatário da madrugada

                 

     Estranho é não saber onde vão parar nossas palavras.
     Quando as escrevemos, sabemos que destino queremos dar a elas.  Destino, porém, por si mesmo, já é coisa 'não sabida'...        Destino... (essa divindade grega, filha do caos e da noite, que os antigos tanto temiam e até o próprio Zeus - poderoso deus mitológico - também não enfrentava) é um caminho certo, estreito, por onde cada pessoa, sem previamente saber,  tem que passar.
     Pois te confesso que sei bem onde eu poria essas palavras, a que olhos elas deveriam chegar, impressionar, causarem alguma reação. Pelo menos se eu soubesse que elas seriam lidas, já me serviria de consolo... Afinal, ler é o mais civilizado dos atos, alguém  escreveu um dia.
     Mas, deixa pra lá.
     Pena... só sabemos sobre o destino, depois de ele ter nos acontecido. E foi assim mesmo comigo, contigo, conosco.
     Hoje até já duvido se é verdade que nada acontece por acaso... será mesmo?
     Então, por que isso nos aconteceu? Justamente porque  - sabes? - depois de tudo que o relógio da vida marcou para nós com seus ponteiros, para mim não houve mais réquiem... não tive, mesmo, mais descanso.
     Não tem importância porém...
     Se nada pôde ser real, se não se viveu a realidade, de alguma forma ficaste em mim como um bem precisoso... uma relíquia... e relíquias são duráveis. Costumam ir mais além do que nossa própria vida.
     Não... não te enganes... Isto que te escrevo  não é uma fábula, não é uma simples narrativa de fatos imaginários; bem ao contrário: te escrevo sem máscaras, sem vedações, sem muralhas.
     Te abro a alma (quem me dera encontrar o Nirvana ou o Sétimo Céu!... ah!, quem me dera!... mas nada disso é mais possível... pena!) e te exponho visceralmente o coração. Mas não quero 'altar de sacrifícios'.
     O bom-senso prevalecerá e todas as coisas retornarão ao seu lugar mais adequado.  Não te esqueças, porém, de que o passado "é eterna lenda retida" e lendas não desaparecem... vencem o tempo. Ficam para todos.
     Um dia - sei, tenho tanta certeza disso! - aparecerás... e como um 'symballo' ( no grego 'colocar junto duas partes que se ajustam perfeitamente') ou como no nosso português "símbolo", teremos nossa sorte determinada.
     Quem ousa dizer que não?
                            Missivista da aurora  
lilu
Enviado por lilu em 21/11/2007
Reeditado em 21/11/2007
Código do texto: T745638
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Sobre a autora
lilu
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil
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