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DESDE QUE DRUMMOND FEZ NASCER UMA FLOR NO ASFALTO, UMA FLOR ME PERSEGUE. A FLOR NÃO É FLOR SOMENTE. TODA FLOR TEM UM NOME E ESSE NOME SE CHAMA METÁFORA. NÃO CONHEÇO POETA QUE NÃO TENHA DITO FLOR, QUE NÃO TENHA COLOCADO FLOR, CHORADO FLOR, OU AO MENOS UMA PÉTALA. HÁ POETAS QUE FICAM HORAS ESPERANDO UMA FLOR CHORAR... 

ME PERSEGUEM AS PLAVRAS QUE NASCEM DA FLOR, COMO CABELOS, ÓLEOS, GOTAS, AROMAS, ODORES, SOFRIMENTOS, ETC. HÁ FLORES NOS NASCIMENTOS DAS PAIXÕES, NOS VESTIDOS COLORIDOS, NAS LAPELAS, NAS ORELHAS, A MORTE CARREGA FLORES. 

POR CAUSA DA FLOR GOSTAMOS DAS CORES. UMA FLOR NA VITRINE FEZ DA VITRINE UMA PALAVRA POÉTICA. A FLOR É PRENÚNCIO DO FRUTO, QUANDO SE ABRE PARA A ABELHA, PARA O BESOURO, PARA O BEIJA-FLOR. FLORES EM VAZOS SÃO IMAGENS ENGAIOLADAS E A DESCRIÇÃO DO VASO SE TORNA POESIA PORQUE A FLOR ESTÁ SOFRENDO ALI DENTRO. À FLOR O VASO DEVE SUA ELEGÂNCIA.
 
AS PALAVRAS QUE NASCEM DA FLOR SÃO IMPALPÁVEIS, IMAGENS ACÚSTICAS QUE BROTAM NOS LÁBIOS DAS ENTRELINHAS DO POEMA.
PRENDER FLOR NOS LIVROS, NOS LÁBIOS, NAS ORELHAS, NOS CADERNOS, NOS CARTÕES POSTAIS É MUITO TRISTE.
 
A FLOR É A NASCENTE DAS PALAVRAS E AS PALAVRAS SÃO RIOS DE FLORES LÍQUIDAS, RELÓGIOS DE TEMPOS SEM PONTEIROS. 

DIZERUDITO É BRINCAR COM AS IMAGENS QUE NASCEM DA FLOR. A CHUVA, A TARDE CAINDO, UMA FOTOGRAFIA, UM BEIJO DE VENTANIA, OUTRO BEIJO DE SOL, UMA LUA MAGRA, FINA, LUA CORCUNDA, O RIO CORRENDO PARA ACARICIAR A FLORESTA, UMA PROCISSÃO DE GARÇAS BRANQUINHAS, PARECENDO VELHINHAS DEVOTAS, LENÇOS ENXUGANDO LÁGRIMAS, MÃOS ESCONDENDO O ROSTO, CASAS VELHAS COM SUAS RUGAS. 

UM VESTÍGIO DE CLARIDADE É UMA IMAGEM LINDA. UM SUSSURRO É LINDÍSSIMO. É A FLOR SENTIDO CÓCEGAS, A FLOR SE RINDO DE SI MESMA, DE SEUS TALOS QUE SÓ TÊM ESPINHOS. 

AS PALAVRAS SÃO MACIAS, ENGENHOSAS, BRIGUENTAS, CIUMENTAS E ATÉ PREGUIÇOSAS. FICO HORAS À FRENTE DA MÁQUINA ESPERANDO UMA FLOR BROTAR. UMA FLOR NOVA TRAZ PALAVRAS NOVAS OU VELHAS, PALAVRAS DITAS, POR ISSO, POR CAUSA DA FLOR EU SEMPRE DIGO O QUE JÁ FOI DITO. O DIZERUDITO...

Edmir CARVALHO BEZERRA
Enviado por Edmir CARVALHO BEZERRA em 25/11/2005
Reeditado em 25/11/2005
Código do texto: T76362
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Sobre o autor
Edmir CARVALHO BEZERRA
Belém - Pará - Brasil
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Edmir CARVALHO BEZERRA