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Não te gosto em silêncio

  Não te gosto em silêncio porque te sinto distante...entre tua boca e a palavra mora talvez minha angústia, como entre o dia e a noite, vascila a longa dúvida do crepúsculo.
  Não te gosto em silêncio, quando há em teus olhos pesados, dois estranhos pássaros noturnos e teus olhos enudecem...como a fonte nos asperos e interminaveis invernos.
  Não te gosto em silêncio, quando te envolves às coisas que te cercam, como se fosse uma delas, quando estás como águas paradas cuja beleza é apenas o teu reflexo. Por isso te provoco e te atiro perguntas como pedras, quebrando a impassibilidade ao lado, como pancadas que estremessem e vibram e te trazem à tona para mim.
  Não te gosto em silêncio, porque parece que atrás da tua voz ainda se esconde alguém, que tu próprio não conhece. Alguém preparado a ameaçar nossos sonhos e que só tuas palavras que poderão expulsa-los.
  Não te gosto em silêncio, porque preciso ainda da tua palavra, para te descobrir interno, adiante de meu passo, auvorada desenterrando na noite emaranhada, meu indeciso caminho. Porque preciso ainda da tua palavra. Chegue como um vento forte, arrastando nuvens, limpando ceús e horizontes, levando embora folhas doentes, te descobrindo ao sol...
  Um dia te gostei em silêncio, então me recolhi em teu silêncio e procurei a sombra, como um pássaro na hora quente da tarde de verão...
  O sol estará em nós e nada turvará meu pensamento, entre tua boca e a palavra haverá apenas o meu beijo.
Viviangia
Enviado por Viviangia em 06/12/2007
Reeditado em 05/12/2008
Código do texto: T767054
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Sobre a autora
Viviangia
Blumenau - Santa Catarina - Brasil, 34 anos
44 textos (4035 leituras)
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Viviangia