Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

OS DEUSES CHORAM TODOS OS DIAS SOBRE BELÉM


BELÉM AMANHECEU TRISTE HOJE, MUITO TRISTE. VOCÊ DEVERIA ESTÁ AQUI COMEMORANDO O SEU ANIVERSÁRIO. CONTUDO, NINGUÉM ENCONTROU VOCÊ PARA UM ABRAÇO, UMA DESEJO DE FELICIDADES. OS VENTOS SE ENCARREGUEM DE SOPRAR EM SEUS OUVIDOS OS RUMORES DESSE AMOR QUE HOJE DESPERTOU COM MAIS TRISTEZA E DESGOSTO.

HÁ TANTOS POETAS CONTEMPLANDO A CIADE. CONSPIRAM OS POETAS, OLHANDO BELÉM. “SOBRE AS SOMBRAS DAS LÂNGUIDAS MANGUEIRAS, O ROSA VERDE E O AMARELO TINGEM NOSSAS FACES. NO SILÊNCIO SATURADO COM O AMARELO DO MEIO DIA ESPERAMOS A HORA DO JÚBILO. LÁ MAIS ADIANTE O VERMELHO LADRILHA OS FORROS, DO OUTRO LADO DO RIO, A SELVA E O MAR NAMORAM, PROVOCANDO ESPUMAS PERFEITAS SOBRE O LITORAL. NO FINAL DA TARDE AS CHUVAS CAEM. A CIDADE FICA LAMBUZADA DE MEL E CINZA, OS HOMENS ACENDEM SEU FARÓIS PEQUENOS, PROCURANDO SUAS CASAS TINGIDAS POR LISTAS LARANJAS QUE FOGEM DO SOL.” – POETAS CONSPIRANDO, APENAS ISSO.

A BAÍA DO GUAJARÁ, RECEBENDO AS ÁGUAS DO RIO GUAMÁ E MOJU, TRANSBORDA SUA FORTUNA PARA A BAÍA DO MARAJÓ. BEM MAIS AO SUL, AINDA ELE, O RIO GUAMÁ, SE ERGUE COMO CHUVA ADVERSÁRIA E BANHA OS BEIRAIS DA CIDADE COM SUAS ÁGUAS DE POUCA TRANSPARÊNCIA.

PARECE QUE BELÉM CHORA TODOS OS DIAS OU TODOS OS DIAS DEUSES APAIXONADOS CHORAM SOBRE BELÉM. NOSSAS DORES SÃO TÃO PEQUENAS, NOSSOS RIOS TÃO GIGANTESCOS. HÁ EM BELÉM, HOMENS CANSADOS E CHEIOS DE ESPERANÇAS, MULHERES SEDENTAS DE LUZ, ESPÍRITOS INQUIETOS PELO AMANHÃ. ISSO ANGUSTIA QUEM VIVE.

VEM VER-O-RIO, VEM OUVIR O CORO MAGNIFICO DE MIL PERIQUITOS VERDES, CANTANDO AVE-MARIA DIANTE DA BASÍLICA DE NAZARÉ.

UMA GARÇA SE EXILOU DO MALGAL E MORA SOZINHA NO TOCO DE UM PAU À BEIRA DO CAIS, A VEJO TODOS OS DIAS, AQUELA GARÇA BICUDA, MOVIMENTA DE VEZ EM QUANDO O PESCONDO NUM ‘S’ MAIÚSCULO, FAZ CONTINÊNCIA COM A ASA DIREITA, BUSCANDO UMA LINHA AO LONGE. AQUELA GARÇA ESTÁ SOFRENDO DE AMOR, EU POSSO SENTIR SUA SOLIDÃO. HOJE NÃO POSSO VISITÁ-LA, NÃO SUPORTAREMOS TANTA TRISTEZA.

UM VENTO MELANCÓLICO FOSFOREJOU SEUS LÁBIOS NESSE INSTANTE, VOCÊ PASSOU A POLPA DE SEUS DEDOS SOBRE A PINTA AÇAÍ-DIAMANTE QUE SE ENFEITA PERTO DE SEUS OLHOS.

VOCÊ VAI CHORAR ESTA NOITE?

EU JÁ CHOREI AO AMANHECER. PENSEI EM TANTAS COISAS AO VER AS RACHADURAS QUE O SILÊNCIO MATUTINO CASAVA NAS NUVENS. PENSEI NA FUMAÇA SILENCIOSA DO CIGARRO DE MAX MARTINS E SEUS POEMAS-CIATRIZES. MAX TEM SAUDADES DE BOB STOCK. LEMBREI-ME DE MÁRIO FAUTINO, NOSSO JOVEM POETA COLHIDO PELOS ANDES. BENEDITO NUNES, COMO TERÁ ACORDADO HOJE?

APÓS O CAFÉ VISITEI MEU POEMA MAIS RECENTE, VI NELE UM LAMENTOSO BLUES, UM OBOÉ AFINADÍSSIMO, UM VIOLINO SERRANDO LÁGRIMAS, VI MINHA DOR AGASALHADA E BELÉM ACORDANDO DEPRIMIDA... VOU CONTINUAR ESTA CARTA DEPOIS. AGORA VOU APENAS CHORAR MAIS UMA VEZ...
Edmir CARVALHO BEZERRA
Enviado por Edmir CARVALHO BEZERRA em 23/12/2005
Código do texto: T89627
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Edmir CARVALHO BEZERRA
Belém - Pará - Brasil
55 textos (5345 leituras)
5 e-livros (14875 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 12:43)
Edmir CARVALHO BEZERRA