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soneto do sem-sentido

porque morresse, e como a morte em mim cavasse
em sobre o peito, em que enterrasse o coração,
se eu era lápide, e em cimento me afogasse,
se me era eu musgo, na umidade da canção.

ser-me-ia eu fogo, se no fogo eu consumisse,
ou fosse a água, se em beber-me eu me perdia,
mas era a fome, que a miséria me engolisse,
ou se era sonho, mas que em sonhos se esvaía.

eu era o vento, que assoprasse sem o norte,
e sem eu mesmo, eu me era foice sem o corte,
e se era alguém, em não me ser eu me era nada;

e em ser-me eu nada, parafuso que sem rosca,
eu me avoava, meio tonto em ser-me eu mosca,
e me era eu cruz no cemitério abandonada.




como o era originalmente, o final também pode ser lido assim:
"e me era eu cruz, no cemitério, sem a vala."
andré boniatti
Enviado por andré boniatti em 02/08/2006
Reeditado em 17/01/2017
Código do texto: T207509
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
andré boniatti
Corbélia - Paraná - Brasil
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