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soneto do juízo partido

na noite eu deito, mas por dentro eu não dormia,
ensurdecia, em conversar-me a solidão,
e se era só, não era só que em mim vivia,
e me habitava, não mais eu, mas a impressão,

mas a impressão que me habitava de eu, partido,
e confundido, de eu perder-me estilhaçado,
em que os fantasmas, que o meu corpo dera abrigo,
desencarnassem-me os demônios soterrados;

e me assombravam as insônias da sandice,
em que os meus mortos, desde a minha meninice,
se me exumassem de mi’as tumbas ‘maldiçoados

e em mãos trouxessem velas negras combalidas
em foz de um morto que vivera a morte em vida
e que em vivê-la foi da insânia amortalhado.
andré boniatti
Enviado por andré boniatti em 11/08/2006
Reeditado em 17/01/2017
Código do texto: T214027
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
andré boniatti
Corbélia - Paraná - Brasil
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