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O estranho visitante da aldeia

Era uma bela noite fria e estrelada, estava tudo na mais perfeita paz e harmonia, em casa tudo estava em alvoroço, apressados para a ceia e tudo tinha que estar a gosto da minha tia dona da casa.
Entrei na cozinha e sentia os cheiros que já bem longe enchiam de apetite, eram rabanadas, mexidos, sonhos, o famoso queijo da serra da Estrela e outros doces típicos do natal. Tudo estava correndo bem, divertidos e ansiosos pelas visitas da família, alguns já não os viamos desde a Páscoa, primos todos ficavam em minha casa.
Ouvimos os carros, abrimos os portões, as crianças alegres por chegarem correm para mim pois eu sou a prima que brinca com eles e os leva pela aldeia a passear, abraçando me perguntam qual vai ser a nossa aventura e que vamos fazer de especial.
Os levei a ver o presépio da aldeia era lindo e estava construido no largo em frente a minha casa, claro que tudo que lá estava era da minha tia nunca faltava nada, ninguém mexia, era lindo ver a aldeia unida a construir a casinha com palha e dentro decorávamos com tudo musgo, luzes, árvores, água e até um moinho tinha. Lembro que ainda existe uma banda de bonecos músicos da Rosa do barro de Barcelos, eram engraçados, esguios pintados a azul e decorados a vermelho e preto.
Lembro que era lindo ver o menino Jesus e quem o colocava era o menino ou menina que melhor se portava na aldeia como premio do seu bom comportamento, eu sempre era a escolhida mas sempre deixava outros meninos colocarem pois sabia que era por agradecimento pela ajuda dos meus tios que sempre foram solidários com todos os membros da aldeia.
Eles adoraram e exclamavam oh! prima que lindo que esta este ano melhor que o do ano passado. Como eu ficava feliz e eles diziam o prima na cidade não temos nada disso como gostaria de estar aqui para ajudar. Nisto vimos um velhinho não mendigo estava bem vestido agasalhado até os seus olhos brilhava, nunca o tínhamos visto na aldeia confesso que estranhei mas logo pensei ser amigo de algum habitante e vim embora com os miúdos que estavam cheios de fome.
Era uma correria pela casa, uma barulheira total, era alegre tudo como se a casa tivesse vida própria, como eu estava amando aquele momento mas algo me incomodava não sabia um aperto no peito e sempre vinha a ideia o senhor, algo me incomodava.
Sai sorrateiramente da casa e foi ao jardim que estava mesmo em frente do presépio mas qual o meu espanto ele estava ali imóvel de joelhos sem se mexer algo estava acontecendo e tinha que descobrir.
Sai para a rua atravessei a estrada e foi ter com ele, confesso que o seu rosto era lindo e iluminado, imóvel o observava encantada, estava rezando e no rosto as lágrimas corriam sem parar nos seus olhos azuis, grandes e expressivos.
Ajoelhei ao seu lado e orei com ele acho que nesse momento todo o meu corpo estremecia de emoção algo transcendental, mágico que ainda hoje lembro esse momento e faz estremecer de amor. Sinto uma mão colocada nos meus ombros e olho e vejo sorrindo, olhando para mim com aqueles olhos grandes que pareciam estrelas e falou:
- Minha filha levanta-te por favor, já fizeste feliz este coração de velho e homem sozinho.
Levantei sem o deixar de fitar e era forte a sua presença em mime perguntei gentilmente:
-O senhor está sozinho aqui ? A tanto tempo que o vejo aqui não vai jantar com a sua família?
Ele respondeu com a cara tão triste, falando:- O! Minha filha eu já não tenho ninguém, todos faleceram e eu sumi da minha casa até não poder mais andar para não enlouquecer e parei aqui neste lugar pois senti magia e muito amor.
Sorrindo eu acenei que ele estava certo e pensei porque não o convidar afinar sempre escutei que as portas estavam abertas a quem precisam e contente o convidei e ele aceitou.
Dei o meu braço sorrindo e o trouxe para minha casa e logo foi colocado outro prato na mesa, as crianças o cravam de perguntas mas ele era gentil e paciente e de uma humildade atroz logo ele conquistou a família toda.
Coitado era cravado de perguntas a todas as respondia com gentileza e tão bem falado de uma educação fantastica acabou o jantar e logo as os miúdos foram para a sua beira na lareira e ele lhes contou histórias sobre o natal mas como ele as contava tão bem que até os adultos estavam encantados.
Saimos para a missa do galo e fomos a olhar o céu os meus primos já estavam cansados mas ainda sonhando com as belas histórias, gentilmente ele mete o braço no meu e fala baixinho sorrindo:
-Tu foste o meu anjo hoje, aqueceste o meu coração e quero te dar um belo presente de amor eu vou embora pois chegou a hora de caminhar para o meu destino e daqui a uma hora quero que olhes para o céu e estejas atenta pois verás uma bela chuva de estrelas. Obrigado minha menina.
Deu um leve beijo na face e nisto caminha de mansinho na escuridão da noite num segundo era domo se fosse engolido pela escuridão e deixei de ver.
O meu coração estava ansioso pelo momento de chegar a casa para poder ir para a minha varanda ver as estrelas conforme o pedido dele.
Logo chegou o momento e estava olhando para o céu e vejo uma bela chuva de estrelas cintilantes como diamantes no céu eu ria de felicidade, nisto vejo algo ainda mais belo elas fizeram a forma de um coração estava sem saber o que pensar.
Confusa e maravilhada eu pensei melhor presente de natal não podia ter e nisto rasga uma outra chuva de estrelas e vejo alguém de trenó acenando e dizendo ...Feliz Natal e obrigado....
Logo eu que não acreditava em Pai Natal e tive o melhor presente de Natal.

Betimartins
Enviado por Betimartins em 29/11/2007
Código do texto: T758327

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Sobre a autora
Betimartins
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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