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Então é Natal ! Não me convidam mais

Tempos idos que me são saudosos, sobretudo nesse mês do ano, quando recebia convites calorosos de tantos, famílias inteiras aguardavam minha chegada, eu não esquecia jamais nenhuma delas, era imensa minha alegria. Lembro que presenciava o amor entre irmãos, filhos, amigos, a família toda se reunia em meu nome. Em cada porta que eu batia, já estavam todos sorridentes de braços abertos me esperando, sei que eu era o aniversariante, mas não o anfitrião, o anfitrião era o Amor Maior que perfumava a tudo e a todos. Os conselhos que deixei eram sempre relembrados, assim como minha vida de dedicação e amor ao próximo. Tudo que eu escutava e via eram-me gratificantes, foram momentos inesquecíveis, me alegrava saber que meu nascimento era comemorado com reflexão, significando novas esperanças para a humanidade, e isso me dava a certeza de que todo meu sacrifício na terra não fora em vão e que sempre fui muito amado por todos. A ceia era o momento maior, todos sentados à mesa se confraternizando, como outrora fiz com alguns doze irmãos.

Mas hoje, quanta coisa mudou, a cada Natal me vejo mais esquecido, em muitos lugares que dantes era querido, preferido, fui preterido, substituído por um velhinho simpático, de barbas brancas, que entrega presentes retirados de um lindo e fascinante saco vermelho de cetim. Avisa sua chegada badalando um sininho dourado, com gritos de oh oh oh oh !E todos respondem: oh, oh, oh oh oh! – é um diálogo engraçado - ávidos pelos presentes, as pessoas o recebem com muita alegria, vejo olhos esbugalhados, não para o velhinho simpático, mas para o saco de presentes tão esperado e cobiçado, as criancinhas são as que mais o adoram, até carta seus pais as ensinam a fazer para o velhinho de roupas vermelhas, mesmo sem saber da sua história, de onde veio e pra onde vai, quem lhe enviou até as suas casas. Contam-lhe lendas, apenas lendas e elas se encantam. A conversa que antes rodeava sobre o divino, sobre meu Pai, se resume agora ao que um e outro ganharam do velhinho de barba. Esqueceram da ceia que foi substituída por bebidas estimulantes, que ativa a alegria em questão de segundos, a oração da meia noite foi substituída por músicas que carregam duplo sentido forte, é incrível esse novo Natal. E eu? Bom, eu fico retraído, postado também na sala, não me deixam mais participar, mas mesmo assim continuo indo a todas as casas, meu coração não se alegra com esse esquecimento, mas também não se entristece, logo, logo me chamam, se relembraram de mim e por amar à todos volto com muita satisfação.

Agora se na sua casa eu ainda sou um convidado, saiba que todo o céu se alegra e farei com que sintas minha presença, quando de sua oração, momento de nossa íntima conversa, o vosso coração será tocado por um orvalho de paz, refrigério para tuas dores, te restabelecendo as energias e dando-te coragem para os desafios que tanto precisas para vires até meu Pai, nosso verdadeiro pai, e juntos participarmos de sua grande ceia diária, onde o clima do Natal acontece a todo instante, o amor fraternal é presente ofertado permanentemente a cada segundo e a oração é o nosso dialeto preferencial. Onde todos se entendem harmoniosamente como numa grande família, que mantém a tradição insubstituível da fé.

Por razões óbvias não assinarei como Jesus Cristo

Então é Natal...

Comidas, brinquedos, roupas, bebidas...
Um brindeee! Chegou mais um Nataalll !
Ops! E aquelas crianças moribundas sofridas?
E a solidão que a tantos nesse dia faz mal?

O Aniversariante faria outra comemoração
Sem perder de vista o brilho festivo
Com intenso amor no coração
Distribuiria num único objetivo

Ser Papai Noel da grande irmandade
Presenteando-se sem valor algum comercial
Provocando em cada face a felicidade

Como nos pede o amor universal
Verdadeiro espírito de fraternidade
Que todos devemos ter em cada Natal

Jairo Lima
Jairo Lima
Enviado por Jairo Lima em 03/12/2007
Reeditado em 04/12/2007
Código do texto: T762744
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Sobre o autor
Jairo Lima
Cabo de Santo Agostinho - Pernambuco - Brasil
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Jairo Lima