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BIBI E DUDU

Tem gente que acha que criança não conhece nada, ainda mais se tem apenas 1 aninho de vida.

Graziela, Grazi, começou a falar as primeiras palavras – mamã, papa – pronuncia por enquanto, apenas a primeira sílaba duplicada. Ganhou recentemente da tia um cachorrinho da raça Yorkshire, que eu e minha esposa demos o nome de Bidu, lembrando daquele famoso cachorrinho das histórias em quadrinhos, que a gente tanto gostava. Grazi, naturalmente, chamou-o de Bibi.Descobrimos depois de algum tempo, que o cachorrinho era fêmea, então em homenagem a grande dama do teatro brasileiro, Bibi Ferreira, e principalmente pela imposição da pronúncia da Grazi, a cachorrinha foi batizada de Bibi.

As duas não se largavam o dia inteiro. Grazi comia a ração de Bibi, bebia a sua água, beijava sua boca; por seu lado, Bibi mordia sua chupeta, lambia sua boca: tínhamos que vigiar o tempo todo. Grazi andava atrás dela por toda a casa, chamando, Bibi, Bibi. Parecia aqueles garotinhos brincando de carrinho, imitando o som da buzina: bibi, bibi. A cachorrinha corria atrás dela, mordia suas meias, suas roupinhas e ficava puxando, rosnando, até rasgar, ou um de nós lhe dar uma tapinha no focinho para largar. Toda semana tínhamos que comprar novas roupinhas para substituir as rasgadas, mas ela estava tão feliz com a sua cachorrinha, que não nos importávamos. Se por algum tempo não ouvíamos sua vózinha chamando a Bibi, ou suas risadinhas, ou os latidos da cachorrinha, imediatamente corríamos para averiguar o que estava ocorrendo, e uma das vezes o que vimos foi a coisa mais meiga do mundo: as duas dormindo juntinhas na caminha da Bibi.

Um dia, nossa filhinha se aproximou de nós com os olhinhos cheios de lágrimas e um biquinho triste na boca reclamando: Bibi? Bibi? Entendemos logo que ela queria dizer que a Bibi sumiu. Procuramos a cachorrinha por todos os lugares da casa, no quintal e não a encontramos. Observamos que o portão estava aberto, saímos para a calçada, olhamos para um lado da rua, para o outro, e nenhum sinal da Bibi. Perguntamos para os vizinhos, ninguém a tinha visto, nem perceberam nada suspeito, nenhuma pista. Colocamos faixas, oferecendo recompensa, em nossa casa, nas ruas; cartazes em todos os postes da redondeza e nada. Os dias iam passando e nenhuma notícia.

Grazi estava sofrendo muito, mal se alimentava, pouco dormia e quando dormia, acordava chorando, chamando: Bibi? Bibi? Nos seus olhinhos sempre tinha uma lágrima presa e constantemente tinha febre, preocupando a família e os médicos.

Um vizinho sugeriu-nos que comprássemos um outro cachorrinho da mesma raça, eram tão parecidos, que com certeza ela não perceberia a diferença. Assim fizemos, compramos um Yorkshire machinho, era o único que restava para vender e lhe demos. _Grazi, é a Bibi, ela voltou! Nossa filhinha ficou olhando para o cachorrinho apática, ele foi em sua direção abanando o rabinho, mas ela nem ligou. Lembrando do dia que ela ganhou a Bibi, apresentei o cachorrinho do mesmo jeito. _Grazi, é o Bidu! Ela olhou para o cachorrinho, pegou-o no colo, olhou para mim e surpreendentemente disse: _Dudu! Ela reconhecia que era outro cachorrinho e o aceitava. Daí pra frente, ela melhorou, se alimenta normalmente, não teve mais febre, só algumas vezes acorda chorando: _Bibi? Bibi? Brinca com o novo cachorrinho, mas não com a mesma alegria. Só o chama de Dudu, nunca, por motivo nenhum, se enganou e o chamou de Bibi.

Quando já não tínhamos mais esperança de encontrar a Bibi, vieram devolvê-la em nossa casa. Todos se perguntavam como ela reagiria, depois de tanto tempo, e já acostumada com o Dudu. Nós mesmos, não confiávamos se aquela cachorrinha fosse realmente a Bibi. Demos-lhe a suposta Bibi sem falar nada. Seus olhinhos brilharam de felicidade e ela repetia eufórica: _Bibi! Bibi! A cachorrinha correspondia abanando o rabinho e latindo entusiasticamente.

A alegria voltou a nossa casa, só que agora não é Bibi o dia inteiro, é Bibi! Dudu! Bibi! Dudu!...

Grazie, Grazi, por tudo que nos tem ensinado.

carlinhosaffonso@hotmail.com
CARLOS AFFONSO
Enviado por CARLOS AFFONSO em 29/11/2006
Reeditado em 01/07/2010
Código do texto: T305003
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
CARLOS AFFONSO
São Paulo - São Paulo - Brasil
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