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CÃO QUE LADRA NÃO MORDE!

Já passavam das 17:00h, quando entra clínica adentro duas moças desesperadas, trazendo nos braços, um cãozinho atropelado. O paciente apresentava-se pré-chocado, com olhos arregalados, respiração ofegante, coração acelerado, pouca sensibilização membros pélvicos(posteriores).

O animal foi medicado em caráter de urgência, foi deixado em observação por 72h, nesse período, o paciente embora tivesse tido boa recuperação do estado inicial, manifestou quadro de incordenação de cabeça e de membros toráxicos(anteriores), foi então solicitado, que o animal permanecesse internado, por mais alguns dias e assim foi autorizado pelas proprietárias.

O animal necessitou de dezesseis dias de internação, para se obter remissão da sintomatologia neurológica, quando então avisamos as proprietárias da alta do animal.

No dia seguinte chega à clinica, um senhor alto, de terno, se dizendo pai das moças e perguntando em voz alta, quem havia autorizado à internação daquele animal? Sem que se deixasse falar alguma coisa, ele foi falando, vocês não sabem que minhas filhas são de menores e não podem ser responsabilizadas pelo custo da internação? Portanto como advogado que sou, não pagarei pelos gastos do animal enquanto ele esteve internado aqui na clinica.

O médico veterinário que atendeu o animal fazia de tudo para que o senhor entendesse, que o animal foi internado, depois de uma situação crítica de urgência, com risco de vida do paciente e que por conta disto, a idade das moças era o que menos importava naquele momento e que a permanência do paciente na clínica para finalização do tratamento, fora também autorizada pelas moças e que se de menores fossem, deveriam ter cominicado o fato a ele (pai), o senhor continuava a gritar na recepção da clinica... Não vou pagar, não pago, aquela confusão, aquele bate boca.

Eu estava num segundo consultório, escutando pacientemente aquilo tudo e mesmo sendo considerado pessoa tranqüila, para resolver situações avessas, naquele dia, agi diferente, pois achei que aquele senhor havia ultrapassado todos os limites.

Saí do consultório, sem dirigir-me ao senhor, falei ao veterinário, por favor, vai ao canil pegue o animal, entrega e diz para o infeliz, que não queremos receber nada pelo custo do paciente, entretanto, diga pra ele, que nunca mais apareça na clinica, porque não mais queríamos tê-lo como cliente, mas que de qualquer forma, iríamos notificar as suas filhas, o acontecido.

Para surpresa nossa, o homem ficou mais branco do que era, deu um passo pra traz, dizendo com arrogância.
Não senhor, se dirigindo ao colega veterinário, agora eu faço questão de pagar, foi retirando do bolso do terno um talão de cheque, abrindo-o e perguntando quanto era o custo. sem continuar a olhar pra ele, disse ao veterinário, por favor, não receba, entregue o animal, mas, não receba.

Não senhor, agora o senhor está me ofendendo, eu faço questão de pagar e não vou sair daqui antes de assinar esse cheque, pronto, estava de novo armada a confusão, que foi logo amenizada com a autorização do recebimento do cheque.

O senhor se acalmou, ficou quieto por uns instantes e disse: Agora sim está tudo bem, mas quero pedir dois favores para os senhores:

Um, é que pelo amor de deus, em hipótese alguma, não comente com minha mulher ou com minhas filhas o que se passou aqui hoje, elas arrancariam minha pele se ficassem sabendo, olhei pro sujeito, com certo ar de indignação, e pensei... Esse é daqueles que na rua canta de galo, já em casa... Mas deixei pra lá e fiquei quieto.

Bem, o outro favor, é que semana que vem, a minha família vai toda para os Estados Unidos, a empresa que trabalho está precisando que eu fique por lá, aproximadamente por um ano, depois disso retornaremos ao Brasil.

Gostaria que os senhores dissessem quanto custaria para deixar o animal e mais um que temos em casa, hospedados pelo período de um ano.

Fizemos às contas, o resultado ficou assim, dez vezes maior do que aquela conta que ele havia criado um problema enorme para pagar, delicadamente ele tirou novamente o talão do bolso e pagou integralmente a hospedagem dos animais adiantado, nos agradeceu muito por tudo e foi embora.



paulo cesar coelho
Enviado por paulo cesar coelho em 02/03/2006
Reeditado em 02/03/2006
Código do texto: T117870

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Sobre o autor
paulo cesar coelho
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