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A DESTRUIÇÃO DO REI

O Rei Pafúncio engendrou a destruição do
que já era morto.  Acostumado à vida, es-
queceu-se de deitar, decretando a morte dos
poetas e seu próprio rejuvenecimento na cor-
te – inventando a solidão.  Absorto de criati-
vidade no reinado de Confúcio, esmerou-se
em novas formas descobrindo a “cicuta”, ma-
roto calmante das almas versejantes – ofere-
cendo-lhes um banquete.  – sim, porque os
muros entupidos ostentavam-lhe o furor das
rimas, com que lhe entortavam a coluna, ce-
gavam-lhe a visão, ensurdeciam-lhe e voci-
feravam-lhe os dentes pontiagudos, medin-
do força com a poesia da plebe.  Mortos os
poetas, sobrara-lhe a cabeça – mais tarde de-
capitada pela poesia dos poetas - que sobre-
vivera.
Zecar
Enviado por Zecar em 12/05/2005
Reeditado em 01/07/2016
Código do texto: T16465
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Zecar
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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