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DIÁLOGO DE PÁSSAROS

    Naquele sábado de muito sol, os pássaros deixaram a floresta e vieram visitar a cidade. Pousaram nos fios do primeiro semáforo da avenida principal e ficaram espiando o tráfego.

- Como os homens são apressados! – observou o primeiro pássaro.

-Imagina se pudessem voar! – comentou um outro.

- Fico aqui pensando: e no dia em que não houver mais florestas, hem? – filosofou um deles.

-Teremos que ir ao supermercado para fazer compras. – concluiu o primeiro pássaro.

-E como preservaremos a nossa memória?

-Tiraremos fotografia e faremos filme e televisão... É assim que o homem faz.

-Mas pássaro é pássaro e homem é homem – afirmou um dos pássaros.

-Será que o pássaro de hoje será o homem de amanhã? – indagou um outro.

-Deus nos livre de tal sina! Preferia o contrário: que o homem de hoje possa ser o pássaro de amanhã...

-Aí não haveria mais gaiolas e não seríamos mais aprisionados... – ponderou um dos pássaros.

-E também os homens aprenderiam a voar de verdade... – completou um outro.

-Seriam mais breves, suaves e leves...

-Aprenderiam a cantar os hinos da floresta...

-Será que o mundo seria mesmo melhor? – indagou o primeiro pássaro.

   E com todas essas dúvidas em suas cabecinhas de plumas furta-cor, alçaram vôo na direção da linha do horizonte, desenhando arabescos no céu...

José de Castro
Enviado por José de Castro em 13/07/2006
Código do texto: T193027

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Sobre o autor
José de Castro
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil
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