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Rainha da Liberdade




21/04/1979





Hoje eu parei – como quem sente algo que só os baianos conseguem expressar – quando li: “Colégio Rainha da Liberdade”.
Liberdade, uma palavra que sempre amei, pelo misto de emoções que ela me dá.
Pensei. Pensei em uma mulher: calma, doce, no alto de um morro, a contemplar o céu, as casas, o verde quase inexistente, ou caminhando por uma praia, sem nada.
Então percebi o que é liberdade.
É ser criança. É se deixar vestir como a mãe acha que deve, como está.
Como eu, com um vestido de renda branca, bonito, num casamento de gente que não conhecia, e fui no galinheiro (onde rasguei meu vestido) e alisei o pêlo das vacas, como conversava com elas; me sentei numa tábua, peguei uma tampinha de aço, que guardo até hoje; que corri, suei, despenteei-me, sem me importar com o vestido chique enquanto revirei gavetas, papéis empoeirados; como não gostava de ser apresentada àquela gente que me chamava de grandona, de gorda. Ao invés de comer a leitoa, com aquela cara de desespero, agonia, olhos murchos, enquanto os “grandes” riam, gostosos, preferia estar junto com as vacas, conversando, olhando-as, respeitando-as, melhor do que aqueles sádicos que davam gargalhadas enquanto viam a leitoa assada agonizada. Apertou-me a garganta.
Agora cresci. Deixei a liberdade no caminho do tempo trilhado, preocupando-me agora com minhas roupas, meus cabelos, minha aparência, meu charme.
Minha liberdade se foi. Agora, como toda adolescente, preocupo-me com minha aparência, minha sedução.
Como eu gostaria de ser criança, linda, simples e amante dos bichos, dos objetos que ninguém dá valor!
Como eu queria ser mais um pouco a “Rainha da Liberdade”!

Edilene Barroso
Enviado por Edilene Barroso em 27/07/2006
Código do texto: T202924

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Sobre a autora
Edilene Barroso
Campinas - São Paulo - Brasil, 53 anos
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5 e-livros (337 leituras)
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Edilene Barroso