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A MOÇA E O GATO

A  MOÇA E O GATO

Foi à noite que ela chegou em casa, ascendeu as luzes e sentou na poltrona. De tão cansada, esqueceu de tomar banho.
Ficou pensando nas palavras do médico, este lhe dissera a verdade, mas a  moça não queria acreditar. Olhou a  sala toda, estava sozinha. Não, sozinha não, havia o gato e Deus, ambos estavam com ela.  Pensou em Deus. Ela sabia, mas não queria acreditar que fosse verdade. O que diria ao namorado? Mas ela não tinha mais namorado. Sorriu ao se lembrar dele, só a lembrança a fazia feliz. Agora sentia os olhos úmidos, mas não queria chorar. Viu o gato que chegava perto dela, tinha um andar manso e calmo. Pegou-o no colo e começou a agrada-lo, acariciando-lhe o pescoço. Por um instante sentiu-se revoltada.
Mas nada adiantaria agora, sabia que seu caso estava encerrado. Pegou o telefone que estava perto, e com impaciência, digitou o número quase sem ver. A voz do outro lado lhe pareceu rouca. Ela pediu que chamasse o sr. Bruno, e quando ouviu a voz do homem, disse com voz trêmula, desesperada:
- Aqui sou eu, gostaria que você  viesse pra cá, preciso lhe falar com urgência!
Sem palavra, o homem desligou o telefone. A moça compreendeu o gesto. Hesitou
por um instante, pegou novamente o seu bichano olhou-o fixamente, depois desviou o olhar fixando no retrato de Bruno que estava sobre a mesinha de centro. Sorriu com ironia, e, sem perceber, segurou a fita azul que enfeitava o pescoço do gato, e sem ver, foi apertando devagar até que animal soltou um miado rouco como a voz que atendera o telefone e caiu como uma pluma aos seus pés. Quando a jovem voltou a si, deu um angustioso grito, “ele era muito manso”, pensou, e chorando  como uma criança que perde seu animal de estimação, foi até à cozinha, pegou uma caixinha, voltou para a sala, colocou o bichinho nela e soltou pela janela do sétimo andar, onde estava.
Havia parado de chorar, mas se sentia a pior das assassinas.
Olhou novamente a foto de Bruno. Amava-o do  mesmo modo que amava o gato. Foi até o quarto, despiu-se e olhou no espelho o seu corpo.
Ela já sabia que em breve,  aquele corpo bonito e perfeito, estaria inerte, sem alma, debaixo da  terra... Caiu na cama aos soluços...

Kátia Susana  Perujo.
Susy
Enviado por Susy em 29/07/2006
Código do texto: T204334
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Sobre a autora
Susy
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil
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