Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O cachorro que comia pizza

Um dia desses fui convidado por uma amiga para a inauguração do forno à lenha que ela acabara de construir em seu Bunker. A inauguração foi “regada” a rodízio de pizza e muito vinho. Nos dias de hoje, pode até parecer algo estranho, um forno como esse, mas na verdade foi um acontecimento digno de registro. Vou tentar contar a história como, de fato, tudo aconteceu - nos mínimos detalhes.
 
Todo o conhecimento teórico que ela tinha sobre massas foi colhido por “assim, ouvi dizer” e pelas riquíssimas páginas da internet. O engraçado é que ela tentava passar para o seu digníssimo, as informações como se ela realmente fosse uma profunda conhecedora do assunto, aquela cozinheira de dar inveja em metre. As orientações chegavam, para o marido, pelas metades. Isto quando chegavam. Ele que, também não conhecia nada do assunto, prestava atenção redobrada na esperança de fazer bonito para ela e para nós, os ilustres convidados, que mais parecíamos felizes e conscientes cobaias.
 
Os apetrechos, comprados com a mesma empolgação, traziam, em sua grande maioria, o selo de qualidade e o preço nas partes frontais das peças, que mais pareciam brinquedos de criança... Pazinha, pegadorzinho, baldinho. Eram “inhos” que não acabavam mais. Tudo era motivo de chacota por parte dos convidados e dos próprios anfitriões que não paravam de rir deles mesmos. O vinho incrementava as piadas. Qualquer coisa, por mais elementar que fosse era festejada com frases do tipo: fez fogo?! Olhem as labaredas! Cuidado querido, você pode queimar algo imprescindível!
 
Quando algo funcionava a contento, nós comemorávamos em coro: eureka! Eureka! A cumplicidade das “cobaias” era algo inusitado, felizes dizíamos: “na pior das hipóteses temos os ingredientes para serem devorados”.
 
O mais engraçado foi na hora de acender o fogo. A madeira, meu Deus, que luxo! Parecia coisa de grife; toda parelha: do mesmo tamanho e da mesma espessura. Não havia gravetos para que o fogo fosse iniciado, isto causou um transtorno danado. Ninguém sabia por onde começar. Tivemos que recorrer aos serviços técnicos do caseiro, que mais parece um coringa dentro daquela fortaleza. O coitado presta serviços de jardineiro, de lavador de prato e, às vezes, de faxineiro de varanda... Tadinho!!! Ainda bem que ele é um solícito especialista em todos esses assuntos. Por isto foi chamado para que se pudesse dar início ao acendimento do fogo, pois que trazia a ferramenta que faltava. A dona da casa, de posse de um dos pedaços de madeira, começou o processo de esquartejamento. Bateu, com um facão, que mais parecia uma espada, na “cabeça” da madeira que vergava, mas não quebrava. Até que gritou:
 
__ Ponho essa “coisa” de pé, bato com força em sua cabeça, vai chorar que nem vara verde. Putz!!! Essas lições devo ter aprendido com minha mãezinha, Dona Nicota, dizem que é a minha cara.
__ Olé, Olê...
Falou sua irmã que mais parecia uma ajudante de cozinha. Só não se podia dizer se dando mais atenção a ela ou ao relógio, que insistia em não parar de girar.
__ Vamos com calma, nem todo pau é oco.
No que gritamos novamente: eureka! Eureka! Ela não é, de todo, loira.
 
Depois de várias tentativas o fogo finalmente acendeu e a pizza foi para o seu devido lugar. Pensei comigo: Que horror! Que horror! Não dá para acreditar, a madame, a dona da casa, a pretensa cozinheira de pizza, ainda seguidora dos ensinamentos milagrosos, teve a idéia de colocar a massa para assar sobre a própria pá. Esqueceu que a pá era para ser retirada do forno. Mas será que além de nos darmos o direito a tantos palpites iríamos ainda exigir, de tão dedicada iniciante, tamanha habilidade? Aí já seria demais da conta!!!
 
Ufa!!! Nem sei se estou conseguindo explicar como foi esse “jeito” de assar pizza. Tomara que você tenha entendido minhas explicações. Só mais um detalhe importante para completar minha informação: pelo que pude ver, sua ajudante não era a única loira na história.
 
Sinceramente não sei se o forno ficou curado depois de tanta marafunda, mas me dei por satisfeito e muito feliz, quando a dama-da-noite bradou em alto e bom tom: INAUGURADO!!! Tudo bem que a pizza não tenha saído exatamente, e tão tradicionalmente, circular, mas o sabor...

Foi com pesar que perdi, na seqüência, o doce de pizza. E, com certeza, saí dali com uma fome dos diabos, fui direto para o Mcdonald. Ainda bem que lá tinha um Drive Tour.
 
Em tempo, a história do cachorro que comia pizza, eu conto depois.
Pedro Cardoso DF
Enviado por Pedro Cardoso DF em 17/08/2006
Reeditado em 21/08/2006
Código do texto: T218676
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2006. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Pedro Cardoso DF
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 68 anos
4325 textos (94900 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 13:11)
Pedro Cardoso DF