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CACOS DE AZULEJO

Ela parou de mirar-lhe nos olhos com medo de ser repreendida. Já conhecia sua opinião sobre o casamento e se arrependeu de imediato de haver insinuado este seu desejo reprimido a ele.

Marcos olhou em direção a ela e com um tom de reprovação em sua voz respondeu-lhe:

- Alianças são correntes a que um se prende visando prender o outro.

Virou-se e partiu em direção à rua, um pouco magoado em recusar a proposta de casamento que acabara de receber. Mas para ele era uma questão de princípios. Jamais se prenderia a alguém como fizera seu velho pai.

Marta nada fizera para impedir que ele se fosse, apenas ouviu o som de algumas lágrimas teimosas que escorriam sobre seu rosto e gotejavam no chão de cacos de azulejos. Não pôde deixar de reparar que seu coração estava justamente como aquele chão: ultrapassado, pisado e em cacos.
Roger Beier
Enviado por Roger Beier em 20/08/2006
Código do texto: T221303
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Sobre o autor
Roger Beier
São Paulo - São Paulo - Brasil, 39 anos
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