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O fim do Pereba

Os tiros começaram às cinco da manhã. O despertador de

alguns, mas muitos já saíam pro trabalho.

Lesadão não aguentava mais a cara do Pereba, com aquele

sorriso de escárnio. Não se importava com a grana que o

pilantra lhe devia, mas aquele riso idiota dizia respeito

a outra coisa. E não havia dinheiro no mundo que pagasse.

Quando se encontraram no beco perto do trilho o frio

quebrava o silêncio, a noite anunciava um dia chuvoso e

sem graça.

O primeiro a atirar foi Pereba, Lesadão nem se aguentava

nas pernas de bêbado. Descarregaram as 765 que o Jaguara

vendera a ambos, o fornecedor da vila. Erraram todos os

tiros.

Quem se deu mal foi Zé Fininho, que tinha saído do crime e

tava indo trabalhar na padaria do seu Chico Sovado. A bala

atravessou as bochechas do coitado. Agora seu apelido é

Zé Boquinha.



Epílogo: Pereba se mudou pro interior. Acabou levando a

pior quando um bóia fria o flagrou com a namorada. Duas

facadas no coração e nenhuma lápide.
aluísio de paula
Enviado por aluísio de paula em 26/08/2006
Código do texto: T225744

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Sobre o autor
aluísio de paula
Curitiba - Paraná - Brasil, 43 anos
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aluísio de paula