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Na selva

Afocinhou a lata de lixo com a sofreguidão de três dias sem pôr grão no estômago. Encontrou restos de um jantar abastado: lasanha endurecida e azeitonas exauridas. Devorou o grude quase sem triturá-lo entre os dentes podres. Em seguida, lambeu as feridas da manhã, quando ralara a pata direita num muro chapiscado. Doía muito. Tudo.
A quem possa estranhar que um braço de homo sapiens  se chame pata deve-se dizer que, para ele (o homem), tanto faz, como tanto fez. O asfalto da metrópole é testemunha de que seu ranço de humanidade se perdeu bem antes disso, ao adentrar o imponderável terreno da invisibilidade.
Jorge Eduardo Machado
Enviado por Jorge Eduardo Machado em 28/08/2006
Reeditado em 29/08/2006
Código do texto: T227285

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Sobre o autor
Jorge Eduardo Machado
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 37 anos
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Jorge Eduardo Machado