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Na Despedida, As Últimas Palavras.

     Queria que fosse recíproco o sentimento mas, pelo menos da minha parte, não era. Não porque o reprovava mas porque seu estilo de vida era totalmente diferente do meu, não me adaptaria e tentar muda-lo era querer outra pessoa e isso definitivamente eu não queria.
     Seu jeito engraçado, atencioso, seu olhar me encantava. Nunca cheguei a conhecer alguém assim antes. Seu modo de ser foi me conquistando aos poucos.
     Ao passar dos dias fui percebendo que o tratamento que ele me dava era diferente, talves porque não necessitava da sua atenção, tanto quanto os outros, mas eu sentia que era um jeito especial. E isso foi se confirmando com o tempo.
     Suas aulas eram apenas duas vezes por semana, o via apenas duas vezes por semana e me perguntava como era possível sentir algo assim por alguém com quem convivia tão pouco. Ainda hoje não sei explicar, talves seja por isso, era tão curto o tempo em que estavamos juntos, que se abria as portas para a ilusão.
     Sendo ilusão ou não, não me importava. Só esperava com ansiedade para estar novamente em sua agradável companhia e escutar o - Boa tarde! - que fazia meu dia mais feliz...
     Muitos outros pequenos fatos, porém não pequenos em importancia, ocorreram durante o período em que estive naquele curso. Guardei pra mim uma vasta quantidade de sentimentos, de novas emoções e no último dia de aula, quando nos despedimos a saudade já estava presente entre nós. Por mais incrível que pareça, não consigo lembrar das palavras que ele me disse ao se despedir. Só me lembro da última frase:
     - Estude mais porque... você tem futuro!
      Foram essas as últimas palavras que eu lembro ele me dizer ao nos despedirmos. Falava lentamente com a voz baixa, e por mais atenção que eu quisesse dar, só conseguia me concentrar nos seus gestos, no nosso meio abraço desajeitado, mas totalmente espontaneo e carinhoso.
      Queria permanecer ali por mais tempo... se pudesse. Tive que ir deixando um obrigada e um tchau, com voz baixa também pois estavamos na mesma sintonia.
      Mas queria mesmo, poder dizer que o amava!...
     
solene
Enviado por solene em 29/08/2006
Reeditado em 29/08/2006
Código do texto: T228214
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Sobre a autora
solene
Embu das Artes - São Paulo - Brasil, 36 anos
18 textos (1967 leituras)
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solene