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Páginas (avulsas) da vida - 2


                                                                                                  Terezinha Pereira

1 - Na sorte

Se era desalmado?
Sei que veio armado.
Uni-duni-tê........
Atirou a esmo.
As primeiras mascaram.
Se estava mascarado?
Mal-me-quer-bem-me-quer........
Alguém morreu.  Mesmo?
Ninguém viu.
Era primeiro de abril.

                                  ***

2 - Casa de campo na Lua

Tinha ele muita riqueza  e alguma idéia. Uma,  seria provar que a impossibilidade é possível. Então, mandou projetar uma casa para ser posta em território livre, até mesmo da especulação imobiliária. Famoso arquiteto riscou-lhe uma verdadeira obra de arte: uma casa de campo, de 8m de frente por 4 m de lado,  pintada de vermelho e colorida com vegetação, feita de matéria  duradoura  e quase no peso de pluma, pois, pronta,  não passaria dos 4kg.
Pouca coisa para ele seria estorvo,  muito menos os oitenta milhões de dólares que empregaria na  execução de todo o projeto. Além disso, de onde plantaria sua casa, para sempre poderia dizer a si mesmo que a terra é azul.

                                                                         ***

3 – Cerimônia de casamento

Se eu fosse contar, diria que havia, na igreja, uns quinhentos convivas. O luxo podia ser notado tanto na decoração como nas vestes, como nos telões instalados em diversos espaços, para ninguém perder o melhor ângulo da cerimônia de casamento. Ninguém achou extraordinário, quando a noiva, depois de solenemente beijada após juramentos e alianças, pediu o microfone.
Poderia querer agradecer ao pai pela festa estrondosa que os esperava no clube mais charmoso da cidade. Quem sabe agradecer  aos convidados pela presença e pelos presentes ou  ao recém-marido pela alegria de poder compartilhar com ela aquele momento cheio de maravilha e de suas expectativas de ser feliz para sempre.
Nada disso. Ela queria somente convidar a todos para ver um pequeno curta. A surpresa de todos foi a imagem que surgiu no telão: um casal nu, de namoro num quarto de motel. Nem imaginam como acabou aquela festa,  depois que foram reconhecidos os personagens do filme. Ninguém mais, além do então recém-marido e a melhor amiga da noiva, que na peça real, atuava de madrinha com o próprio marido.



Terezinha Pereira
Enviado por Terezinha Pereira em 16/10/2006
Código do texto: T265788
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Sobre a autora
Terezinha Pereira
Pará de Minas - Minas Gerais - Brasil, 68 anos
124 textos (52866 leituras)
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