Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

As mãos

Mal tocam o papel e os dedos firmes, com destino certeiro vão construindo formas lexicais completas, às vezes cansadas. Na lógica e no cálculo trabalham com muito mais voracidade que o desejo do deserto pelo rio. Os leitos são construídos cada vez mais largos e densos.
Já cansadas e calejadas. Unhas carregadas por grossas cascas. Vaidade esquecida em longas horas com o grafite e papel, esquecidas, mas cheias de desejos.
No vai e vem do dia a dia, na escola, no ônibus, nas lojas, são comparadas às outras belas, lisas, brilhantes, macias e vaidosas.
Calos rijos causam transtorno, vergonha e às vezes escondem-se nos bolsos, na timidez.
O simples criar já não é mais causa de prazer e sim angústia, desespero.
Olham-se no espelho da alma e o que já produziram? Sulcos do tempo e calos explícitos contam sua própria história.
Os pés, que mal saíram do lugar, descansaram, vendo-as trabalhar, agora em sagaz velocidade caminham rumo ao porão, os mesmos, quase inúteis chutam a porta.
As mãos, “as mãos” puxam a corda. A guilhotina enferrujada cai. E da boca, que mal produziu algum som, ouve-se um grito.

Lena Leal
Enviado por Lena Leal em 31/10/2006
Código do texto: T278437

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Lena Leal
Goianésia - Goiás - Brasil
40 textos (43211 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 01:16)
Lena Leal