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Perder, faz parte.

Estava louco de ciúmes. Não sei como fui me ver nessa situação. Estava atravessando a mesma rua que atravesso todos os dias quando a vi dentro do carro. Ela era linda até então, antes de virar o monstro que conheço hoje. Irreconhecível era aquela cena que eu presenciava. Ela estava no carro, dirigindo e ao seu lado, no carona, um rapaz bem apessoado lhe beijava as mãos. Foi o fim. Ou o começo do fim. Tive sorte que ela não me viu naquele momento e eu então poderia ter alguns momentos para me recompor. Cai de joelhos na rua e chorei. Mas logo engoli as lágrimas. Aquilo não ficaria assim. Logo fiz o que tinha que fazer e voltei para casa. Liguei para ela e atendeu o celular como atenderia em qualquer outro dia. Nos falamos e tive a ousadia de fingir que tudo estava bem. Já havia pensado, não era ninguém da sua família, nem tampouco um de seus amigos. Era canalhice mesmo, da pior espécie. Fui correndo ao seu encontro e mesmo sabendo de seu mau caráter meu coração bateu por aquela que me fazia feliz todos os dias. Fui conversando calmamente e agora frio, como um ator experiente, fui ficando à vontade ao seu lado. Perguntei onde estava na malfadada hora e ela simpaticamente sem pestanejar, aquela víbora, me respondeu que estava dormindo em casa. Foi por pouco que não a esganei ali mesmo no meio daquela gente toda. E fui então minando as possibilidades através de perguntas um tanto estranhas e que logo causaram alguma impressão errada. Ela me perguntava por que daquilo tudo, mas eu não iria admitir nada naquele momento. Brigamos naquela hora e fomos para nossas casas. Eu ainda estava possesso. Voltei à sua casa e bati à porta. Mal sabia ela quem era e ao abrir a porta sem mesmo olhar no olho mágico deu de cara comigo. Envolta numa toalha. Vi o rapaz saindo do banheiro também em sua toalha. Aquilo era demais, nenhum ser que goste de outra pessoa podia aturar aquilo. Entrei vociferando palavras que não lembro como saíram de minha boca mas não senti nem um pouco do amor que tinha por aquela cadela e isso me bastou para começar a ir para cima  dela. Fui correndo pronto para esmurra-la com toda minha força e ódio, mas fui interrompido pelo outro cara. Quando viu que eu iria bater nela me bateu primeiro. Odiei aquela intromissão desavisada e isso me custou caro. Fui socado pelo dois e ao cair no chão fui pisoteado e chutado até desmaiar. Minha fisionomia devia parecer algo como um cão raivoso. Enfim acordei no hospital e tinha dois dentes faltando e algumas fraturas pelo corpo. Perdi a minha amada para um Zé ninguém que não tinha a mínima permissão para roubar minha felicidade. Depois fui descobrir que eu não consegui satisfazê-la e por isso arrumou outro. Não faz muito tempo isso, mas aprendi que às vezes a gente perde.
leandroDiniz
Enviado por leandroDiniz em 02/07/2005
Código do texto: T30463
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Sobre o autor
leandroDiniz
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 34 anos
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3 e-livros (430 leituras)
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leandroDiniz