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UM GOSTO AMARGO NA BOCA

 
Equeilibrei-me sobre o banqinho de madeira e olhei pelo quintal de casa. Não pensei em nada apenas naquilo que não queria mais saber. Quanto tempo demoraria todo o processo? Será que isso realmente importaria? Amigos não me procurariam tão cedo e por isso poderia sair errado o que nào planejara mas realizara de uma forma tranquila.
Já havia um certo tempo que eu estava pensando nesta possibilidade e em qualquer outra forma de terminar com todo e qualquer sofrimento que teria ou poderia vir a ter caso tudo não desse certo. Seria vergonhoso sair daqui com este fracasso no meu curto histórico de realizações.
Inspirei, procurei encher meus pulmões de ar. Adoro essa sensaçào de que nada está acontecendo só que a vida te toma de assalto de uma forma tào estranha. A vida na verdade é invisível e te estupra a cada mísero instante.
Fiquei ali equilibrando sensações baratas e possibilidades mil em uma única atitude.
Tudo é cabível no momento de desespero. Quero entender bem mais do que apenas aquelas pessoas que irão ler o triste relato em um jornal que será esquecido na prateleira de algum açougue ou verduraria. Minha história iria servir para embrulhar alimentos para mais uma nação de pobres coitados fadados ao mesmo fim que tive. A única diferença entre eles e eu é que eu escolhi a hora e a forma de colocar um fim em tudo que me incomodava. Acomodei a corda em torno do pescoço e agachei-me um pouco, só para testar o laço, nada poderia dar errado. O abraço final fechou-se em volta do pesoço e agora realmente era para valer, não poderia desistir depois de ir tão longe, não fiava nem chique.
Fechei os olhos e coloquei os pés na beira do assento do banquinho de madeira, meus dedos tocavam a borda e se prendiam como se fosse possível evitar o mergulho. De repente lembrei de uma música que dizia "tropeçavas nos astros" e fiquei ali parado esperando o dia nascer feliz. Uma brisa gelada percorreu todo o quintal e invadiu sem medo todo o meu cosmos. Não haveria mais beijos para trocar diante da ossibilidade absurda de uma paixão. Eu ficaria para sempre ali secando como uma camiseta. A vida esvai a cada instante mesmo.
O barulho do portão se abrindo chamou minha atençào, quem seria uma hora dessas? Aqueles olhos castanhos encontrarm os meus e eles revelavam supresa. O encontro não previsto salvaria ou destruiria minha vida ou o que sobrava dela. A boca dela se abriu em uma pergunta que não oderia ser feita por que eu morreria antes do tempo. Meus olhos se crisparam e lentamente me joguei naqule mergulho. A boca dela se abriu e emitiu um grito desesperado. As lágrimas omeçaram a rolar e molharam o seu rosto.
Ela correu em direção ao meu corpo que balançava como uma bandeira. Tentou me erguer mas percebi que faltava força, faltava coerência com o ato em si. Ela não parava de repetir "POR FAVOR NÃO MORRA! AGORA NÃO SEU FILHO DA PUTA". Eu havia me esquecido como era quente o abraço dela e como o perfume que o corpo exalava depois do sexo enebriava mais que qualquer coisa. Meu deus como eu adorava ouvir a voz dessa garota me sussurrando loucuras nos locais mais impróprios... Estávamos unidos novamente, mas não era para ela estar ali.
O abraço foi fechando e ar machucava meu corpo por que ele queria entrar mas não era possível. A luz começou a invadir um espaço obscuro na minha mente e tudo foi ficando mais lento e fora de foco. Quem estava ali segurando minha mão? quem eram aquelas pessoas? Senti meus membros formigarem e as lágrimas também rolaram em meus olhos. Não sofria mais, era incomodo e só, mas dor não havia mais...
A minha última visão foram aqueles olhos que choravam... as últimas palavras que ouvi formam: "Eu te amo seu palhaço. Você vai ser paï."
E tudo terminou com o leve cerrar de meus olhos
Jim d
Enviado por Jim d em 08/07/2005
Código do texto: T32229
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Sobre o autor
Jim d
Tupã - São Paulo - Brasil, 38 anos
46 textos (1877 leituras)
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Jim d